Explosão em Trem Eleva Crise das Linhas Ferroviárias na Grande São Paulo
Uma explosão seguida de incêndio em um trem nesta quinta-feira (23) marcou o terceiro dia de problemas nas operações das linhas ferroviárias privatizadas na Grande São Paulo. A ocorrência afetou a Trivia Trens, concessionária que assumiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, conectando o centro da capital paulista à zona leste, ao Alto Tietê e ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O incidente interrompeu a circulação das três linhas durante o horário de pico matutino, impactando o serviço expresso para o aeroporto. Passageiros foram forçados a deixar os trens e caminhar pelos trilhos, gerando confusão e insegurança. A falta de informações da nova concessionária foi criticada pelos usuários, que relataram demoras nos avisos e orientações confusas sobre a situação.
Imagens postadas nas redes sociais mostraram fumaça densa e chamas na parte superior de um dos trens, enquanto passageiros usavam lanternas de celulares para se deslocar. A Trivia descreveu a retirada como um “desembarque assistido”, mas a expressão contrastou com a realidade vivida pelos usuários.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a chamada para a emergência foi recebida antes das 6h da manhã, nas proximidades das estações Brás, Bresser-Mooca e Belém, sem registro de feridos. A concessionária relatou que uma falha no fornecimento de energia entre as estações Brás e Sebastião Gualberto causou a interrupção das linhas 12 e 13 e restringiu a circulação da linha 11. Para minimizar os transtornos, o sistema de ônibus emergenciais, conhecido como Paese, foi ativado.
A crise se intensificou, pois os problemas não são isolados. Desde a estreia das operações da Trivia, em 21 de outubro, todos os dias foram marcados por falhas. No primeiro dia, um trem da linha 12-Safira apresentou problemas na estação Brás, resultando em atrasos e superlotação. No dia seguinte, uma falha em um equipamento de via fez com que os trens circulassem com velocidade reduzida, trazendo mais atrasos e falta de informações.
A Trivia, pertencente ao Grupo Comporte, assumiu as linhas por meio de uma concessão de 25 anos, com previsão de investimentos de R$ 14,3 bilhões para melhorias na infraestrutura. O governo de Tarcísio de Freitas apresentou a privatização como uma solução para os problemas do transporte público, mas até agora a eficiência prometida não se concretizou, e a comunicação com os passageiros tem sido deficitária.
Este cenário não é inédito em São Paulo. Em janeiro de 2022, a ViaMobilidade enfrentou problemas semelhantes nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda logo após assumir a operação. Na época, falhas elétricas e interrupções se tornaram comuns, levando a uma série de reclamações e intervenções do Ministério Público.
A situação atual revela um problema mais amplo que transcende a manutenção dos trens. Em emergências, a comunicação eficaz da concessionária é crucial para a segurança dos passageiros. Sem orientações claras, o risco de pânico e acidentes aumenta. A falta de informações adequadas nos primeiros dias de operação sugere questões estruturais na nova gestão.
A Trivia tinha anunciado a preparação de mais de 1.200 profissionais para atuar na prevenção e resposta a incêndios, ressaltando seu compromisso com a segurança. Agora, a concessionária terá que explicar não apenas a causa do incêndio, mas também por que a operação começou com tantos problemas consecutivos.
ICL Notícias também buscou esclarecimentos do governo do estado sobre a fiscalização da operação da Trivia, a investigação do incidente, a comunicação com os usuários e as medidas para evitar a repetição de falhas anteriores. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.
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