Estudo Revela Fatores que Influenciam a Alimentação de Famílias Brasileiras
Um novo levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil (Pensi), vinculado à Fundação José Luiz Setúbal (FJLS), trouxe à tona os principais fatores que impactam a alimentação nas famílias brasileiras. A pesquisa, que contou com a parceria do Pacto Contra a Fome e cofinanciamento da Coalizão de Alimentos e Uso da Terra (FOLU), destaca que o simples conhecimento sobre nutrição não é suficiente para garantir escolhas alimentares saudáveis, especialmente em lares com crianças.
Realizado entre agosto e dezembro de 2025, o estudo qualitativo envolveu 15 grupos focais, reunindo mais de 140 adultos responsáveis pelas compras em cinco capitais: Belém, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre e São Paulo. Os participantes foram organizados por faixa de renda, permitindo uma análise mais precisa das diferentes realidades enfrentadas pelas famílias.
A coleta de dados incluiu questionários sobre hábitos alimentares, simulações de compra e exercícios de leitura de rótulos. Embora os resultados não sejam estatisticamente significativos, eles abrem caminho para investigações mais profundas sobre o tema.
Seis Padrões de Comportamento Alimentar Identificados
A pesquisa revelou seis padrões que influenciam as escolhas alimentares. O primeiro deles é o "custo total" da alimentação, que abrange não apenas o preço dos alimentos, mas também o tempo e o esforço mental necessários para planejar e preparar as refeições. Essa responsabilidade recai majoritariamente sobre as mulheres.
Outro padrão observado é a percepção de baixa saciedade associada a alimentos saudáveis, tornando-os menos atrativos em comparação com opções ultraprocessadas. As estratégias de gestão do orçamento familiar, como compras em promoção e congelamento, também foram identificadas como práticas comuns.
As diferenças de comportamento por faixa de renda foram notórias: famílias com maior poder aquisitivo tendem a ler rótulos com mais frequência, mas utilizam mais serviços de entrega, enquanto aquelas com renda intermediária realizam substituições de produtos e as de baixa renda priorizam preço e saciedade.
O estudo também focou na alimentação infantil, revelando que, em lares com renda de até um salário mínimo, 45% das crianças consomem frutas diariamente, mas o consumo de guloseimas é elevado em todas as faixas de renda. Além disso, a rotulagem frontal de advertência é reconhecida pelos participantes, mas sua influência é limitada em comparação com termos como "fit" ou "natural".
Implicações para Políticas Públicas
Os pesquisadores destacam que a promoção de uma alimentação saudável deve ir além das decisões individuais, considerando condições estruturais como renda, tempo disponível e organização familiar. A alimentação escolar é um fator crucial, podendo compensar lacunas na dieta domiciliar quando bem estruturada. Por outro lado, uma alimentação escolar insuficiente pode contribuir para o aumento do consumo de produtos ultraprocessados entre crianças.
A pesquisa conclui que é necessário implementar políticas que abordem o ambiente alimentar, focando em custos, tempo, acesso e oferta, em vez de apenas na informação disponível. Seis diretrizes foram sugeridas, incluindo a redução do custo social da alimentação e a promoção de uma alimentação escolar mais robusta.
Os resultados deste estudo têm grande relevância para a formulação de políticas de prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, especialmente voltadas para a infância. A pesquisa é um importante passo para entender melhor como fatores estruturais influenciam o consumo de alimentos e reforça a urgência de ações integradas que garantam acesso a alimentos saudáveis e regulem a publicidade voltada ao público infantil.
Para mais informações, o relatório completo da pesquisa está disponível para consulta.
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