O senador Jaques Wagner (PT) está no centro de uma controvérsia envolvendo a venda de um terreno por R$ 15 milhões, que ele adquiriu em 2000 por R$ 28 mil. Este terreno de 51 mil metros quadrados, equivalente a sete campos de futebol, está localizado nas margens da Via Metropolitana, uma rodovia projetada durante sua gestão como governador da Bahia, de 2007 a 2014. A valorização do terreno ao longo dos anos foi impressionante, atingindo 11.400% se descontada a inflação. O terreno fazia parte de uma área maior pertencente à Traneves Patrimonial, cujo sócio, Alex Grangeon Trancoso Neves, está ligado a um empreendimento residencial integrado ao projeto de um novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia.
A venda do terreno foi temporariamente bloqueada pelo ministro André Mendonça, do STF, em decorrência da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master. Essa operação, que incluiu a Polícia Federal, resultou na interrupção do negócio e levantou questões sobre a legalidade e a ética da transação. O terreno, anteriormente um espaço com vegetação preservada, passou a ser preparado para a construção do residencial anunciado como o primeiro de alto padrão no Brasil integrado a um centro de treinamento, em parceria entre o City Football Group, QPC Incorporadora e Grupo Terere.
A Via Metropolitana, inaugurada em 2018, conecta Salvador a Camaçari e foi uma obra viabilizada durante a gestão de Wagner, com a intenção de criar uma alternativa à estrada do Coco, principal ligação da capital bahiana ao litoral norte. O projeto da rodovia começou a ser discutido em 2011, e a obra foi concluída em 2018, após um investimento de R$ 220 milhões.
Além da venda do terreno, o STF também bloqueou a venda de um apartamento de Wagner em uma área valorizada de Salvador por R$ 10 milhões. A soma das duas vendas poderia render ao senador um total de R$ 25 milhões. Em sua última declaração de bens à Justiça Eleitoral, Wagner informou possuir R$ 3,3 milhões em bens.
A Lagoons Empreendimentos, responsável pelo projeto do residencial e do centro de treinamento, defendeu a legalidade da venda do terreno, afirmando que a transação ocorreu em conformidade com as leis e que as aquisições foram validadas por consultorias independentes. A empresa ressaltou que a venda se deu em um contexto anterior ao desenvolvimento atual do empreendimento.
Wagner, que deve depor em agosto na investigação do Banco Master, é alvo de suspeitas de ter recebido pagamentos indevidos relacionados ao banco, por meio de sua nora e de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões. As investigações levantam preocupações sobre sua atuação parlamentar e seus laços com o ex-sócio do banco, Augusto Lima, o que Wagner nega. A situação levou o senador a deixar o cargo de líder do governo Lula no Senado. A complexidade do caso, envolvendo questões de ética, valorização imobiliária e a relação de Wagner com projetos públicos, continua a gerar repercussões políticas e sociais na Bahia.
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