Apoio a Lula no Congresso cai apesar do aumento de emendas

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Queda no Apoio ao Governo Lula Mesmo com Recorde em Emendas Parlamentares

Em um cenário político desafiador, o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), sofreu uma queda significativa neste ano. Mesmo com a liberação de um volume histórico de emendas parlamentares, a aprovação das pautas prioritárias do governo caiu drasticamente, segundo um levantamento da consultoria Ética Inteligência Política.

A pesquisa revela que, no Senado, o índice de apoio às propostas do governo despencou de 75% para 38,5% entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Na Câmara dos Deputados, a situação não é diferente, com a taxa recuando de 58% para 38,1%. Este cenário reflete o distanciamento de partidos do centrão, como MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos.

Surpreendentemente, a queda na governabilidade ocorre em paralelo ao aumento expressivo na liberação de emendas, que atingiu R$ 33,89 bilhões nos seis primeiros meses do ano, o maior volume já registrado antes de um período eleitoral. Essa situação levanta questões sobre a eficácia das negociações entre o governo e o Congresso.

Apesar do recorde em recursos, Lula ainda enfrenta dificuldades em avançar com propostas essenciais antes do recesso parlamentar. Entre essas, destaca-se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a jornada de trabalho, atualmente impedida de tramitar no Senado por decisão do senador Davi Alcolumbre. Outros projetos importantes, como a PEC da Segurança Pública e a regulamentação da inteligência artificial, também permanecem estagnados.

A pressão sobre o Congresso aumentou, especialmente antes e durante o recesso parlamentar, e aliados de Lula intensificam a ofensiva para retomar as negociações quando as atividades forem reiniciadas em agosto. Para Carolina Venuto, sócia da Ética Inteligência Política, a crescente liberação de emendas alterou a dinâmica de negociação entre o governo e o Legislativo.

"Com o volume recorde de emendas, o Congresso ganhou maior autonomia, e o governo enfrenta mais dificuldades para articular suas prioridades, dependendo cada vez mais de acordos específicos para cada pauta", comentou Venuto.

A especialista também observa que, em ano eleitoral, os interesses das disputas estaduais e das alianças políticas influenciam diretamente as decisões das bancadas. O ritmo mais lento do Congresso até outubro pode adiar a análise de propostas que exigem maior articulação política. A reorganização das prioridades, segundo ela, dependerá dos resultados das eleições e da composição da próxima legislatura.

Venuto conclui que, caso Lula seja reeleito, isso pode facilitar a retomada de projetos que enfrentaram resistência ao longo de seu mandato. Por outro lado, se houver mudança na presidência, o novo mandatário precisará negociar sua agenda com um Congresso que ainda terá um grande volume de recursos disponíveis.

"Em ambos os cenários, o resultado das urnas redefine a correlação de forças, influencia as negociações políticas e pode mudar o ritmo de tramitação das propostas atualmente paralisadas", finaliza.

Fonte: Link original

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