A Polícia Federal (PF) revelou que houve comunicações frequentes entre o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, durante a relatoria de uma investigação sobre um homicídio em São Luís. A suspeita é que Rocha tentou interferir no inquérito que apura se o homicídio de João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022, está relacionado a uma cobrança de propina feita por Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Maranhão e sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).
Atualmente, o caso está sob a jurisdição do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido às investigações que envolvem Rocha. A informação sobre os telefonemas foi divulgada em uma decisão pública de Dino. Tanto o senador quanto o ministro foram contatados para comentar, mas não se manifestaram.
As comunicações foram descobertas a partir da análise do celular de Weverton Rocha, que foi apreendido no ano passado durante uma operação que investiga desvios relacionados ao INSS. Dino pediu que as informações do celular fossem compartilhadas com a investigação do Maranhão. A PF identificou mensagens de texto, áudios e ligações entre Rocha e Martins, indicando uma relação próxima que vai além do contato formal.
Em um dos registros, datado de 2 de junho do ano passado, Rocha e Martins trocaram mensagens, e Rocha fez uma ligação que durou cerca de cinco minutos. Durante a conversa, Rocha mencionou problemas de conexão, dizendo: “Meu irmão, caiu aqui porque é ruim mesmo a internet no Maranhão”. Na mesma data, Martins decidiu transferir o condenado Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, executor do assassinato, de um presídio em São Luís para Brasília.
A investigação do STJ examina a possível relação entre o homicídio e a cobrança de propina por parte de Daniel Brandão. A PF também está apurando se esse assassinato está ligado a desvios de emendas parlamentares em contratos no Maranhão. Em novembro de 2025, o caso foi transferido ao STF devido às suspeitas envolvendo Weverton Rocha.
Esse episódio se tornou um ponto central nas discussões sobre a corrida eleitoral para o governo do Maranhão e gerou trocas de acusações entre grupos políticos. O governador Carlos Brandão e Daniel Brandão não se manifestaram sobre as acusações, mas já negaram qualquer irregularidade. Carlos Brandão afirmou que os processos enfrentados desde 2024 são resultado de “narrativas manipuladas” que surgiram após sua ruptura com um grupo político que buscava manter-se no poder.
Daniel Brandão também se defendeu, rejeitando as tentativas de ligá-lo a atividades criminosas e alegando que as acusações são infundadas e surgem em um contexto de disputas eleitorais. Ele enfatizou que não possui relação com o caso e que as alegações são parte de um jogo político para deslegitimar seu nome. A situação continua a se desenrolar em um clima de tensão política, com implicações significativas para as eleições locais e a reputação dos envolvidos.
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