Cresce o Número de Trabalhadores em Aplicativos no Brasil: Quase 2 Milhões em 2025
Em 2025, aproximadamente 2 milhões de brasileiros estavam empregados através de aplicativos, conforme os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria destes trabalhadores opera de forma autônoma, enfrentando jornadas semanais mais longas e recebendo remunerações inferiores em comparação aos demais profissionais do setor privado.
A pesquisa, que abrange indivíduos a partir de 14 anos que utilizam plataformas para serviços de transporte e entrega, identificou que cerca de 1,959 milhão de trabalhadores, o que equivale a 1,9% do total de ocupados no Brasil, se enquadram na categoria de “plataformizados”. Entre eles, 1,2 milhão atuam em aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99, enquanto 376 mil são entregadores em serviços como Rappi e iFood.
Crescimento Significativo no Setor
O estudo também revelou um aumento significativo na presença de trabalhadores em plataformas digitais ao longo dos anos. Se compararmos apenas aqueles que utilizam os aplicativos como ocupação principal, o número passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, representando um crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% em três anos. Em 2024, o total era de 1,7 milhão.
Dentre os entregadores, houve um crescimento de 18,6% entre 2024 e 2025, destacando-se como a única ocupação que apresentou variação de dois dígitos.
Perfil e Motivação dos Trabalhadores
A pesquisa do IBGE também traçou o perfil dos trabalhadores por aplicativo. Em 2025, 84,4% eram homens e 47% tinham entre 25 e 39 anos. A principal motivação para optar pelo trabalho em plataformas digitais foi a dificuldade em encontrar outros empregos, seguida pela flexibilidade e a possibilidade de ganhos superiores aos de outras ocupações disponíveis.
Desigualdade na Jornada e Remuneração
O rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativos foi de R$ 3.147, valor semelhante ao dos não plataformizados, que foi de R$ 3.148. No entanto, os trabalhadores em plataformas digitais enfrentam jornadas semanais de 44,7 horas, significativamente mais longas do que as 39,3 horas dos demais profissionais. Isso resulta em uma remuneração por hora inferior: R$ 16,20 para os plataformizados, 12% abaixo dos R$ 18,40 recebidos pelos não plataformizados.
Informalidade e Dependência das Plataformas
A pesquisa também evidenciou altos índices de informalidade entre os trabalhadores por aplicativo, com 72,1% sem carteira assinada e apenas 34% com cobertura previdenciária. Esses dados ressaltam a vulnerabilidade desse grupo, que carece de garantias trabalhistas como férias e 13º salário.
Embora 86,8% dos trabalhadores por aplicativos se considerem autônomos, o IBGE apontou uma dependência significativa em relação às plataformas. Entre os motoristas de transporte, 80,2% afirmaram que o valor recebido por cada corrida depende totalmente das plataformas digitais.
A Discussão sobre Vínculo Empregatício
A divulgação dos dados ocorre em um momento crítico, com o Supremo Tribunal Federal (STF) adiando o julgamento sobre a “uberização” do trabalho. Representantes de categorias que atuam para aplicativos reivindicam o reconhecimento do vínculo empregatício, enquanto as empresas do setor se opõem à ideia, defendendo que a relação é de natureza autônoma. O debate sobre os direitos desses trabalhadores continua em pauta, refletindo a complexidade do cenário atual do trabalho no Brasil.
Fonte: Link original































