O Ministério Público de São Paulo (MPSP) protocolou um pedido para arquivar o inquérito contra Elizabete Arrabaça, uma aposentada de 68 anos presa preventivamente na Penitenciária de Tremembé desde agosto de 2025, por suspeita de matar sua filha e nora por envenenamento. O caso ganhou destaque após a morte de Élede Guidi, uma amiga de Elizabete, em 22 de dezembro de 2026, inicialmente registrada como morte natural, mas que levantou suspeitas de envenenamento por chumbinho.
O promotor Patrick Carvalho Silva concluiu que não havia provas suficientes para caracterizar homicídio, apesar de circunstâncias que poderiam levantar indícios. Ele ressaltou que a causa da morte de Élede foi insuficiência respiratória aguda, conforme um exame necroscópico. A investigação considerou a presença de Elizabete na casa da vítima no dia da morte, seu comportamento suspeito e uma dívida de R$ 3 mil que a idosa tinha com a aposentada, mas enfatizou que essas evidências eram meramente indiciárias.
A Polícia Civil, após investigar, também não indiciou Elizabete por falta de provas concretas. Os exames realizados não confirmaram envenenamento, e o laudo indicou que os sinais encontrados poderiam ser explicados por processos infecciosos ou inflamatórios. O promotor destacou que a falta de um exame toxicológico no momento do óbito impossibilitou uma conclusão mais definitva sobre a causa da morte.
Elizabete foi envolvida em outros casos de morte suspeita, incluindo a de sua filha, Nathalia Garnica, e sua nora, Larissa Rodrigues. Ambas foram encontradas sem vida em circunstâncias que levantaram suspeitas de envenenamento, sendo que um laudo toxicológico confirmou a presença de chumbinho no corpo de Larissa. A promotoria argumenta que Elizabete e seu filho, o médico Luiz Antônio Garnica, estão sendo acusados de feminicídio, uma vez que Larissa estava prestes a se divorciar, o que poderia prejudicar a situação financeira deles.
As investigações revelaram que, logo após a morte de Larissa, Luiz acessou as contas bancárias dela e fez movimentações financeiras que levantaram suspeitas. Além disso, a morte de Nathalia também parece ter uma motivação financeira, pois ela não tinha filhos e, com sua morte, os bens poderiam ser herdados por Elizabete. A defesa de Elizabete argumenta que as acusações não têm base suficiente e que o histórico financeiro da aposentada, que inclui dívidas de R$ 320 mil devido a jogos de azar, pode ter influenciado sua situação.
Elizabete também foi acusada de tentativa de homicídio qualificado contra Neuza Ghiotti, uma amiga que sobreviveu a um envenenamento em 2017. O advogado da aposentada defende que não há certeza sobre as acusações, considerando-as infundadas e baseadas em laudos que não confirmam intoxicação exógena.
O caso continua a atrair atenção, com o MPSP argumentando que os crimes têm uma motivação financeira, e a defesa de Elizabete contestando a falta de provas concretas em relação às acusações graves que pesam sobre ela. A situação permanece em desenvolvimento, com novos julgamentos e investigações a serem realizados.
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