Senadores Bolsonaristas Enfrentam Dilema em Votação da PEC que Acaba com a Escala 6×1
Nesta quarta-feira, 2 de outubro, a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 se transforma em um verdadeiro dilema para senadores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio a um cenário eleitoral tenso, esses parlamentares hesitam em se posicionar publicamente contra a medida e se organizam para delegar a discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a colegas que estão na metade de seus mandatos.
Entre os senadores que devem conduzir esse embate estão Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Dr. Hiran (PP-RR). Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência do PL e um dos principais nomes do bolsonarismo, evita declarar sua oposição ao projeto e, inclusive, pode não comparecer à sessão. Quando questionado sobre sua posição, ele se limitou a afirmar que apoiaria a proposta que cria um novo regime de trabalho com pagamento por hora.
A expectativa é que a votação da PEC ocorra apenas após as eleições, de acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Um senador do PL, que preferiu não ser identificado, revelou sua intenção de seguir a orientação do partido e votar contra a proposta, mas sem se expor em discursos ou emendas, temendo repercussões negativas entre os eleitores.
Rogério Marinho, por sua vez, já anunciou que pedirá vista do projeto para ampliar o tempo de discussão, reforçando a importância da jornada flexível como alternativa à proposta governista. A iminente votação também gerou mudanças na composição da CCJ, com a saída de Marcos Rogério (PL-RO) e a substituição de Esperidião Amin (PP-SC) por Laércio Oliveira (PP-SE), que assume o cargo em um momento estratégico.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) deve se posicionar contra a PEC e orientar sua bancada a votar não. Parlamentares críticos à proposta argumentam que a medida poderá gerar impactos significativos para empresas de todos os tamanhos, especialmente no setor aéreo, e denunciam a pressa na votação sem a devida análise das consequências.
Uma pesquisa realizada pela Quaest em julho revelou que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. Além disso, 75% dos entrevistados afirmaram estar cientes da aprovação do projeto na Câmara dos Deputados. A pressão para a aprovação da PEC também é sentida entre senadores governistas, como o relator Omar Aziz (PSD-AM), que interrompeu sua campanha ao governo do Amazonas para se dedicar integralmente à proposta.
Às vésperas da votação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou uma propaganda eleitoral para enfatizar sua luta contra a escala 6×1, acusando adversários de tentarem barrar o projeto. Ele destacou que trabalhar seis dias para descansar apenas um não é uma forma de viver dignamente.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro estará participando da Expointer, feira de agronegócio no Rio Grande do Sul, e já declarou que tentaria votar de forma remota, embora a sessão de amanhã seja exclusivamente presencial. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), indicou que, caso haja pedido de vista, ele permitirá apenas uma ou duas horas para discussão antes de retomar a análise da proposta.
A votação da PEC que extingue a escala 6×1 promete ser um dos principais temas da agenda política nas próximas semanas, refletindo a complexidade das relações entre parlamentares, a pressão popular e os interesses eleitorais em jogo.
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