Proposta da ANATORG Visando o Fim da Torcida Única em Clássicos Paulistas
A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (ANATORG) apresentou uma proposta inovadora para a política de segurança nos estádios de futebol do Estado de São Paulo, visando o fim da torcida única em clássicos. O projeto foi entregue a órgãos públicos e entidades responsáveis pela segurança no esporte e sugere uma transição gradual, com ênfase em testes controlados.
A proposta inicial contempla a realização de jogos-piloto, onde torcedores visitantes ocuparão até 10% da capacidade dos estádios. A ANATORG propõe a utilização de relatórios técnicos para avaliar segurança, logística e fluxo de torcedores, além de monitorar possíveis ocorrências. Um dos pontos destacados no documento é a utilização do reconhecimento facial, que pode ser um aliado na identificação e rastreamento dos torcedores. “A identificação individual dos torcedores torna viável a responsabilização por atos ilícitos, eliminando justificativas para punições coletivas”, afirma a ANATORG.
Além disso, a proposta sugere a venda de ingressos rastreáveis, limitados a torcedores cadastrados, e a concentração dos torcedores em pontos de encontro definidos, acompanhados pela Polícia Militar. Rondas específicas e monitoramento por câmeras no setor visitante também estão entre as medidas sugeridas.
A Violência e a Nova Realidade dos Conflitos
O documento ressalta que a torcida única não diminuiu a violência nos clássicos, mas apenas a deslocou para outros locais, como bairros periféricos e estações de transporte. A ANATORG argumenta que a violência se tornou mais fragmentada e menos visível, dificultando a prevenção por parte do Estado. Os confrontos agora ocorrem em datas e horários que não necessariamente coincidem com os jogos, frequentemente organizados por meio das redes sociais.
A Opinião das Torcidas Organizadas
A reportagem também buscou a opinião das principais torcidas organizadas de clubes paulistas. O Gaviões da Fiel, do Corinthians, afirmou estar colaborando para o fim da torcida única e participando ativamente das discussões com o Ministério Público e a Polícia Militar. “Estamos contribuindo tecnicamente para que o retorno das duas torcidas aos clássicos avance. O debate é coletivo e envolve as entidades representativas”, declarou a organização.
A Torcida Jovem, do Santos, expressou seu apoio à proposta, destacando a importância de garantir a segurança e o bem-estar dos torcedores. “Com a tecnologia disponível, já passou da hora de permitir que torcedores rivais convivam de forma segura, resgatando a essência do futebol”, afirmaram os santistas.
Até o fechamento desta matéria, a Mancha Verde, do Palmeiras, e a Torcida Independente, do São Paulo, não responderam ao pedido de comentários.
Os clássicos em São Paulo estão sob a política de torcida única desde abril de 2016, e a ANATORG acredita que a volta das duas torcidas é essencial para a revitalização da experiência dos jogos.
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