MP identifica Beto Louco e Primo à frente de esquema de combustíveis

MP identifica Beto Louco e Primo à frente de esquema de combustíveis

Operação Crédito Oculto: MPSP Investiga Fraude e Lavagem de Dinheiro no Setor de Combustíveis

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) desencadeou uma nova fase de investigações sobre um esquema criminoso que supostamente envolve fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, chamado de "Primo", são apontados como líderes da organização e estão foragidos.

A ação, batizada de Operação Crédito Oculto, foi realizada na quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Receita Federal. Essa operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que já vinha investigando a movimentação financeira de um grupo que, segundo os investigadores, ocultava a origem dos recursos usados em suas transações.

Mandados e Bloqueios em Sete Estados

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A Justiça determinou também o bloqueio de contas e a indisponibilidade de bens relacionados aos investigados, além da distribuidora Terrana e de fundos mencionados nos autos da investigação.

Aquisição da Terrana em Foco

Um dos principais alvos da investigação é a compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis, identificada como Terrana. O MPSP acredita que a aquisição foi planejada para ocultar os verdadeiros beneficiários do negócio, utilizando empresas e fundos de investimento em várias etapas para garantir a aparência de legalidade nas transações. A distribuidora estaria ligada a uma rede de postos de combustíveis controlada pelo grupo.

Entre as estruturas investigadas estão o Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, que tinha a Usina Itajobi como cotista, e as empresas Berna Holdings e Branson Holdings, registradas em nome de Paulo Nárcelio Simões do Amaral, que possuem capital social de apenas R$ 1 mil.

Movimentações Financeiras Suspeitas

A investigação revelou a existência de duas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) vinculadas ao Banco Genial, totalizando R$ 160,3 milhões, que teriam sido utilizadas na aquisição do Fundo Derby 44, atualmente denominado Wels, e da Tramp Oil (Brasil), agora chamada Branson Oil, que é vista como proprietária das cotas da Terrana.

Outra empresa sob investigação é a 7Seven Apoio e Serviços Administrativos, que, segundo o Ministério Público, foi utilizada para movimentar dinheiro por meio das "contas bolsão" e para pagamentos a funcionários da distribuidora.

Envolvimento do Mercado Financeiro

Além dos empresários do setor de combustíveis, a investigação também apura a participação de executivos do mercado financeiro. Entre os mencionados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-sócio do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. O MPSP alega que esses indivíduos tiveram papel crucial na estruturação de garantias bancárias e financiamento das operações suspeitas.

Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", ligado ao Fundo Celebration, e que já é delator em investigações do Banco Master, também está sob análise. Segundo o Gaeco, empresas associadas a Freixo funcionaram como "contas de passagem", facilitando a movimentação de grandes somas de dinheiro.

Tentativas de Obstrução das Investigações

Mensagens encontradas em celulares apreendidos durante a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, sugerem tentativas de desassociar formalmente a Terrana de Beto Louco e Primo após o avanço das investigações. O material revela discussões sobre a transferência de funcionários e a remoção da marca Terrana das fachadas dos postos de combustíveis.

Colaboração Premiada Rejeitada

De acordo com o MPSP, Beto Louco e Primo tentaram negociar acordos de colaboração premiada, que foram rejeitados pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo. A recusa se deu devido à omissão de informações sobre lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de inconsistências em relação a relações com agentes públicos.

Posicionamento dos Envolvidos

A defesa de Antonio Carlos Freixo Junior optou por não comentar as alegações. O Banco Genial, por sua vez, afirmou que Humberto Tupinambá não faz mais parte da diretoria desde maio de 2026 e que a instituição colaborou amplamente com as investigações, adotando medidas para aprimorar seus processos e controles internos.

A Operação Crédito Oculto marca mais um capítulo nas ações do MPSP para combater fraudes e fortalecer a integridade no setor de combustíveis, evidenciando a complexidade e a profundidade das investigações em curso.

Fonte: Link original

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