El Niño pode resultar em 451 mil mortes até 2027, alerta estudo da Universidade de Chicago
Uma nova pesquisa do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago revela que o fenômeno climático El Niño, que deve atingir seu pico entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, poderá causar até 451 mil mortes em todo o mundo. Deste total, 13,3 mil vidas podem ser perdidas no Brasil. O relatório foi divulgado nesta quarta-feira (23) e destaca a gravidade dos efeitos do calor extremo associado ao fenômeno.
As estimativas não incluem as mortes já registradas na Europa devido a altas temperaturas, que também estão ligadas ao El Niño. O Brasil, segundo a projeção, será o quinto país mais afetado por complicações de saúde decorrentes do calor excessivo, ficando atrás de nações como Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.
Impactos desproporcionais no Sul Global
Cerca de 49% das mortes previstas estão concentradas em apenas 50 países, totalizando 220,5 mil óbitos. A África é a região mais afetada, com 130,2 mil mortes estimadas, seguida pela Ásia, com 62,2 mil, e América Latina, com 24,2 mil. Em contraste, países desenvolvidos como Estados Unidos e Itália apresentam números modestos, com 3.500 e 780 mortes previstas, respectivamente.
O estudo destaca que as projeções foram baseadas em pesquisas que quantificam a relação entre temperaturas extremas e aumento da mortalidade. Fatores como clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação das nações foram considerados para criar uma análise precisa.
A urgência das medidas de adaptação
Michael Greenstone, professor emérito da Universidade de Chicago, enfatiza a importância de antecipar esses riscos à saúde. Ele ressalta que, assim como a previsão de impactos nas lavouras já é uma prática comum, agora é possível projetar danos à saúde pública. O relatório serve como um alerta para que os tomadores de decisão implementem medidas emergenciais que possam salvar vidas.
As recomendações incluem a criação de sistemas de alerta precoce, mapeamento de populações vulneráveis e a implementação de centros de resfriamento. Tamma Carleton, coautora do estudo, destaca que reforçar a resposta emergencial pode evitar muitas mortes este ano. Contudo, ela alerta para a necessidade de ações a longo prazo, uma vez que as temperaturas extremas podem se tornar a nova normalidade nas próximas décadas devido às mudanças climáticas.
Conclusão: uma crise em potencial
O atual El Niño é descrito como um "cartão-postal do nosso futuro", com a possibilidade de que as temperaturas que enfrentaremos em breve se tornem comuns. O relatório também menciona que a falta de investimentos em adaptação pode levar a uma crise de saúde pública ainda maior. Portanto, a implementação de estratégias de proteção se torna não apenas urgente, mas vital para salvar vidas em um cenário que promete ser cada vez mais desafiador.
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