Anvisa libera caneta inovadora para diabetes tipo 2 com insulina e semaglutida

Anvisa libera caneta inovadora para diabetes tipo 2 com insulina e semaglutida

Anvisa Aprova Novo Medicamento para Diabetes Tipo 2 com Injeção Semanal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do Kyinsu, um inovador medicamento da farmacêutica Novo Nordisk, que combina insulina icodeca e semaglutida em uma única injeção semanal. A decisão foi oficializada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 28 de agosto.

O Kyinsu foi aprovado em seis apresentações diferentes e é destinado a adultos diagnosticados com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a glicemia utilizando apenas insulina basal ou medicamentos agonistas de GLP-1, como a semaglutida. No Brasil, cerca de 16,6 milhões de adultos convivem com essa condição, conforme dados do Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), posicionando o país como o sexto no mundo em número de casos.

O endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, destaca que os dois componentes do Kyinsu atuam de maneira complementar. Enquanto a insulina controla a glicose entre as refeições e durante o sono, a semaglutida é eficaz principalmente após as refeições e está relacionada ao controle do peso.

“A combinação em uma única injeção semanal reduz o número de aplicações necessárias, minimizando o risco de ganho de peso e episódios de hipoglicemia, que costumam ocorrer com o aumento da dose de insulina isolada”, explica Batatinha.

No entanto, a endocrinologista Fernanda Parra ressalta que a utilização dos medicamentos deve ser individualizada. “Nem todos os pacientes com diabetes precisam dos dois tratamentos. A decisão depende do controle glicêmico, dos tratamentos já utilizados e dos objetivos de cada paciente”, afirma.

Parra apresenta dois cenários que justificam a prescrição do Kyinsu. O primeiro envolve pacientes que já fazem uso de insulina basal, mas ainda apresentam hemoglobina glicada acima dos parâmetros desejados. Nesses casos, a adição da ação do GLP-1 pode aprimorar o controle glicêmico sem aumentar excessivamente a dose de insulina. O segundo cenário refere-se àqueles que utilizam agonistas de GLP-1, como a semaglutida, mas necessitam de uma ação adicional da insulina para um controle eficaz da glicose.

A aprovação do Kyinsu baseou-se em um robusto programa de estudos clínicos de fase 3, denominado Combine, que envolveu 2.500 adultos com diabetes tipo 2 em diferentes estágios do tratamento. Os resultados mostraram que a combinação do medicamento não apenas reduziu a glicemia de forma mais eficaz do que o uso isolado de insulina icodeca ou semaglutida, mas também proporcionou maior perda de peso e até 88% menos episódios de hipoglicemia significativa ou grave. A segurança e a tolerância da nova combinação mostraram-se equivalentes às já conhecidas dos componentes isolados.

Com essa inovação, espera-se que muitos pacientes tenham acesso a um tratamento mais eficaz e conveniente para o manejo do diabetes tipo 2.

Fonte: Link original

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