Polícia Federal Investiga Pichações Nazistas na UFSM em Contexto de Intimidações a Estudantes
A Polícia Federal (PF) deu início a uma investigação sobre pichações de suásticas e outros símbolos nazistas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), localizada no Rio Grande do Sul. Este episódio se insere em uma série de ataques e intimidações direcionados a estudantes e professores em instituições de ensino superior no Brasil.
Os investigadores estão analisando imagens de câmeras de segurança e ouvindo testemunhas para identificar os responsáveis pelas pichações, que foram descobertas na manhã de terça-feira (20) no diretório acadêmico do curso de Geografia. Além dos símbolos nazistas, o local também teve adesivos com manifestações políticas removidos e uma bandeira LGBTQIA+ desaparecida.
A PF foi acionada após a descoberta das pichações, e o delegado Carlos Feijó afirmou que as imagens de segurança serão fundamentais para a investigação, que ainda não possui identificação dos autores. Este não é um caso isolado, pois em outubro, pelo menos seis símbolos relacionados ao nazismo já haviam sido registrados em diferentes prédios da UFSM. Entre eles, estava a runa Odal, utilizada pelo regime nazista e por grupos neonazistas.
A universidade se manifestou contra os atos de vandalismo e informou que os novos incidentes serão incluídos nas investigações administrativas em andamento para determinar responsabilidades.
Crescimento de Ataques em Universidades
Um levantamento feito pelo jornalista Vinicius Segalla revelou que os atos de vandalismo e agressões têm ocorrido em pelo menos sete universidades brasileiras. A pesquisa mostrou que muitos dos ataques visaram manifestações estudantis contrárias à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um dos episódios mais notáveis, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), o deputado estadual Marcinho Belota (PL-RR) e a influenciadora Athaally Albuquerque invadiram o Centro Acadêmico de Direito e destruíram materiais críticos ao candidato.
Outros casos reportados incluem invasões e intimidações na Universidade Federal de Alagoas e na Universidade Federal da Bahia, onde confrontos entre estudantes e parlamentares também foram registrados. A Justiça teve que intervir em várias situações, impondo restrições a alguns políticos.
Embora os episódios apresentem semelhanças, ainda não há evidências de que tenham sido orquestrados por uma única organização ou de forma coordenada a nível nacional.
Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão Em Ação
A situação alarmante levou a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, parte da Procuradoria-Geral da República (PGR), a iniciar um procedimento para investigar ameaças e intimidações que afetam estudantes em universidades e institutos federais. Coordenada pela subprocuradora-geral da República, Paula Bajer Fernandes, a iniciativa visa identificar possíveis violações à liberdade de expressão e ao direito de manifestação política no ambiente acadêmico.
Nas redes sociais, crescem os relatos de intimidação política, acompanhados de imagens que documentam os ataques, pichações e confrontos. A Justiça Federal também atuou em um caso envolvendo entidades estudantis, restabelecendo perfis de organizações da UFRGS e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) que foram bloqueados após publicações políticas.
A investigação da PF em Santa Maria, junto com os esforços da PGR, busca não apenas esclarecer a autoria dos ataques, mas também verificar se existe uma conexão entre os diversos incidentes nas universidades, especialmente considerando a participação de parlamentares em algumas dessas ocorrências, que ocorrem em um momento crítico da disputa eleitoral.
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