ANR Processa Keeta por Prática de Compra Intermediada no Brasil
São Paulo, 21 de outubro – A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) protocolou uma ação civil pública contra a Keeta, uma subsidiária da chinesa Meituan, na Justiça de São Paulo. A entidade contesta o modelo de compra intermediada adotado pela plataforma de delivery no Brasil e solicita a suspensão imediata dessa prática em restaurantes que não tenham dado autorização explícita para sua inclusão no aplicativo.
A compra intermediada, segundo a ANR, consiste na inclusão de estabelecimentos na plataforma da Keeta sem consentimento prévio. Em seguida, a empresa envia um entregador ou comprador para adquirir os produtos diretamente no balcão do restaurante, que são entregues ao consumidor. Erik Momo, presidente do conselho da ANR, destacou a falta de transparência nesse modelo: “Os gestores de restaurantes não sabem que uma venda presencial de balcão, na verdade, seria uma venda para a Keeta.”
A ANR argumenta que essa prática pode infringir a liberdade comercial dos restaurantes, criar concorrência desleal e prejudicar a relação entre estabelecimentos e clientes. Momo enfatizou que a falta de controle sobre as vendas pode colocar em risco a sobrevivência dos negócios. “O proprietário precisa ter gestão sobre o que está no cardápio e a qualidade da entrega. Se tudo é delegado a um intermediário, o risco de falência aumenta sem que o restaurante saiba”, alertou.
Além da suspensão da prática, a ANR propõe uma maior colaboração da Keeta com o setor. A entidade citou como exemplos positivos as parcerias estabelecidas com o iFood e a 99, que pertencem a grupos internacionais e têm uma relação mais transparente com os restaurantes.
Momo também ressaltou que a prática é prejudicial para os consumidores, que podem não entender como funciona a compra intermediada, assim como para os estabelecimentos, que podem acabar vendendo produtos fora do que foi planejado. "Nosso pedido é que eles suspendam essa prática", afirmou.
A Keeta, que começou suas operações no Brasil em 2025, declarou que ainda não recebeu qualquer notificação judicial sobre o processo. Em nota, a empresa afirmou que a compra intermediada é uma “ferramenta local desenvolvida como um piloto para ampliar o acesso dos consumidores a opções de restaurantes que ainda não estão integrados à plataforma, em um mercado com contratos de exclusividade que limitam a liberdade de escolha das plataformas de delivery”.
Desde o início de suas atividades no Brasil, a Keeta e a 99 têm expandido suas operações rapidamente, embora o iFood permaneça como líder do setor. Em setembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou a necessidade de mais investigações sobre o setor de delivery no país, o que poderá impactar futuras práticas comerciais.
Essa ação da ANR marca um importante passo na discussão sobre as práticas de mercado no setor de delivery, refletindo a preocupação com a sustentabilidade dos negócios de alimentação em um cenário em constante evolução.
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