Anvisa Anuncia Avaliação Imminente de Novos Medicamentos Concorrentes ao Ozempic: Expectativa Crescente no Setor de Saúde

Anvisa Avalia Autorização para Novos Medicamentos de Emagrecimento com Semaglutida

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve se pronunciar nas próximas semanas sobre a autorização para a comercialização de dois novos medicamentos de emagrecimento nas farmácias brasileiras. Ambos os produtos, que competem com Ozempic e Wegovy, têm como princípio ativo a semaglutida. A expectativa é alta, especialmente com a patente da substância prestes a expirar em 20 de março.

Atualmente, não há concorrentes registrados na Anvisa, e a aprovação dos novos medicamentos não é garantida. O órgão regulador esclareceu que os pedidos estão em fase de revisão final e que, em algumas situações, pode solicitar mais informações ou rejeitar os processos.

Um dos medicamentos em análise pertence à EMS, o único laboratório nacional que já lançou canetas emagrecedoras anteriores, baseadas na liraglutida, competindo com marcas como Saxenda e Victoza. O outro medicamento, que também está em fase avançada, foi inicialmente protocolado pela Momenta, uma empresa do grupo Eurofarma, que transferiu o processo para a Ávita Care.

A Eurofarma já possui experiência no mercado de medicamentos para emagrecimento, após firmar uma parceria em 2025 com a Novo Nordisk para a distribuição de Poviztra e Extensior, ambas marcas de semaglutida. Recentemente, a Anvisa negou o registro de um produto da Megalabs contendo liraglutida, o que ressalta a complexidade dos processos de aprovação.

As canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, um hormônio que regula os níveis de glicose no sangue e a saciedade. No cenário atual, as principais marcas disponíveis são Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro, da Lilly, que se destaca por atuar também no receptor do hormônio GIP, com patente até 2036.

A pressão para aumentar a oferta de medicamentos emagrecedores e reduzir seus custos é intensa, vindo de consumidores, da indústria e do setor político. Contudo, o aumento do uso desses medicamentos para fins estéticos, além da popularização de versões manipuladas, preocupa associações e sociedades médicas.

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou um requerimento de urgência para um projeto de lei que visa quebrar a patente de produtos com tirzepatida, como o Mounjaro. Essa proposta enfrenta resistência tanto da indústria quanto do governo. Atualmente, a Anvisa está analisando 14 pedidos de registro para produtos com semaglutida e sete para liraglutida, mas nenhum desses produtos se enquadra na categoria de genérico, que exigiria um preço pelo menos 35% inferior ao do produto de referência.

A disputa no mercado de emagrecedores ganhou novos contornos com a intervenção do governo Lula (PT), que solicitou à Anvisa a análise prioritária de 20 pedidos de medicamentos contendo liraglutida ou semaglutida. Essa medida foi tomada logo após o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, promover os novos produtos da EMS em um evento.

A EMS, que possui uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia (SP), está bem posicionada no mercado. Desde 2020, a empresa recebeu créditos de R$ 736 milhões do BNDES para a planta de produção.

A farmacêutica aguarda a resposta da Anvisa sobre os produtos de semaglutida e destaca que suas canetas já lançadas, Lirux e Olire, são amplamente comercializadas. Entretanto, a aceleração dos lançamentos suscita críticas de entidades como a Interfarma e o Sindusfarma, que alertam sobre possíveis inseguranças jurídicas e atrasos em outras avaliações de medicamentos.

Por outro lado, a PróGenéricos ressalta que a demanda pelos fármacos aumentou exponencialmente, defendendo que a medida tem “razões excepcionais de interesse público”. No entanto, técnicos da Anvisa expressam preocupações sobre a prioridade dada aos emagrecedores, que pode atrasar o lançamento de terapias essenciais para doenças graves, como câncer e epilepsia.

A Anvisa, por sua vez, afirma ter estabelecido um limite para processos acelerados, evitando prejuízos a outras terapias. A agência ainda destaca o risco de desabastecimento das canetas e prioriza produtos que passam por etapas de fabricação nacional.

Além disso, o governo planeja viabilizar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), embora a incorporação inicial tenha sido barrada devido ao alto custo. Uma das iniciativas para facilitar o acesso ao produto na rede pública é a parceria entre a EMS e a Fiocruz, visando a transferência da tecnologia de produção das canetas.

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