Apostadores gastam 500 vezes mais em saúde que tributos das bets

Pessoa utiliza aplicativo de apostas no celular; mercado cresce com forte presença no ambiente digital e publicidade constante

Um ano após a regulamentação do mercado de apostas no Brasil, um estudo revela um grande descompasso entre o faturamento gerado pelas empresas de apostas e a contribuição dessas para o financiamento público destinado a mitigar os danos sociais causados por essa atividade. Entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o governo federal arrecadou cerca de R$ 5 bilhões em tributos sobre as apostas, mas apenas R$ 57 milhões foram direcionados ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), representando apenas 1,15% do total arrecadado. Em contrapartida, o custo social das apostas foi estimado em R$ 38,8 bilhões por ano, sendo R$ 30,6 bilhões relacionados a impactos na saúde, como tratamentos e mortes.

Embora o mercado de apostas tenha movimentado R$ 36,9 bilhões em receita bruta em 2025, o repasse à saúde equivale a menos de R$ 2,30 por apostador. O estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) destaca que o prejuízo social é coletivo, enquanto os lucros se concentram em poucas operadoras. Além disso, os dados apontam que o transtorno do jogo já afeta cerca de 1,4 milhão de brasileiros, com maior incidência entre grupos vulneráveis, como pessoas de baixa renda e negros.

A resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é incipiente, com a implementação de uma linha de cuidado para transtorno do jogo e a oferta de teleatendimento em saúde mental. No entanto, a demanda por tratamento está aumentando rapidamente, com um crescimento de 206% no número de atendimentos por dependência em jogos entre 2021 e 2024. Os especialistas alertam que a abordagem atual é reativa, lidando apenas com os efeitos do problema, e não com a prevenção.

A vulnerabilidade social relacionada ao jogo é exacerbada por uma estrutura de publicidade agressiva que utiliza influenciadores digitais para atrair especialmente jovens. Esse tipo de marketing, associado à falta de regulação eficaz, tem contribuído para a normalização das apostas entre públicos que deveriam ser protegidos.

No campo legislativo, tentativas de aumentar a tributação das apostas e destinar recursos para a saúde mental enfrentam resistência de setores da indústria, que argumentam que impostos mais altos poderiam levar apostadores ao mercado ilegal. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets concluiu que as apostas não geram benefícios econômicos significativos para a sociedade, mas drenam renda das famílias, afetando negativamente o consumo e o emprego.

A regulamentação do setor ainda está em desenvolvimento, e há um clamor para que as políticas públicas tratem as apostas como um problema de saúde pública, buscando um equilíbrio entre arrecadação e proteção social. A necessidade de um controle mais rígido sobre a oferta de jogos e uma abordagem preventiva se tornam cada vez mais urgentes, considerando os impactos sociais e de saúde associados ao crescimento do mercado de apostas.

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