A desembargadora Maria da Graça Peres Soares de Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), fez história ao se tornar a primeira mulher a ocupar uma vaga do Quinto Constitucional destinada à advocacia, assumindo o cargo em 2024. Filha de uma trajetória familiar ligada ao direito, sendo viúva do desembargador federal Leomar Amorim e mãe de dois outros magistrados, Maria da Graça traz consigo uma rica experiência de décadas no Ministério Público, onde atuou como promotora de Justiça. Sua ascensão ao tribunal representa um marco significativo em uma instituição com 212 anos de história, desafiando as barreiras de gênero em um espaço tradicionalmente masculino.
Ao refletir sobre sua trajetória, Maria da Graça destaca a importância de sua experiência anterior no Ministério Público e como isso molda sua visão como julgadora. Ela acredita que seu passado de acusadora a fornece uma perspectiva única, permitindo-lhe ver detalhes que poderiam passar despercebidos a outros. A magistrada enfatiza que a Justiça deve ir além da mera aplicação da lei, sendo também um espaço de transformação social. Seu compromisso inclui a promoção da dignidade humana e a busca por soluções que atendam às necessidades da população, especialmente dos mais vulneráveis, como a população em situação de rua.
Maria da Graça expressa sua determinação em contribuir para um Judiciário mais eficiente, humano e acessível, priorizando a Justiça Restaurativa e o atendimento às vítimas de crimes. Ela reconhece que o Judiciário não pode resolver todas as desigualdades sociais, mas pode atuar decisivamente na contenção de injustiças, ampliando o acesso à Justiça e trabalhando em colaboração com outras instituições. Para ela, a lentidão do sistema judiciário é um desafio multifatorial que requer gestão eficiente, inovação e um foco na simplificação dos processos.
A desembargadora também fala sobre o papel do Judiciário em tempos de tensão social, defendendo que ele deve ser um espaço de equilíbrio e proteção dos direitos constitucionais. A sua visão é de que a Justiça deve ser firme, mas não arbitrária, oferecendo respostas justas e fundamentadas. Essa abordagem é baseada em sua convicção de que a função pública deve ser orientada por um compromisso ético e sensibilidade às realidades sociais.
Apesar de sua carreira consolidada, Maria da Graça revela que o que a motiva é a possibilidade de continuar a servir à sociedade, acreditando que o trabalho institucional sério pode transformar realidades. Cada função que exerce é uma oportunidade para promover direitos e dignidade, e ela busca fazer isso com entusiasmo e responsabilidade. Sua visão de Justiça é, portanto, uma que mescla rigor legal com humanidade, buscando sempre a efetividade e o acesso aos direitos.
Em resumo, a trajetória de Maria da Graça no TJMA não apenas abre espaço para a representação feminina na magistratura, mas também traz uma nova perspectiva para o Judiciário, focando na justiça social e na dignidade humana, com um olhar atento às vulnerabilidades e um compromisso com a transformação social.
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