Panamá fecha espaço aéreo contra uso de drones em presídios

Panamá vai bloquear espaço aéreo para evitar que drones lancem armas em presídios

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, anunciou que o país bloqueará o espaço aéreo ao redor das prisões para evitar que drones sejam usados para lançar drogas e armas para os detentos. Essa medida foi uma resposta à crise no sistema penitenciário panamenho, que se intensificou após a fuga de quase 200 presos da penitenciária La Joyita, na Cidade do Panamá, em 1º de janeiro. A maioria dos fugitivos já foi recapturada, mas o evento destacou as falhas de segurança e a necessidade urgente de reformas.

Mulino, durante uma coletiva de imprensa na província de Bocas del Toro, explicou que essa nova estratégia de bloqueio do espaço aéreo foi testada na semana anterior e visa prevenir o uso de drones para o tráfico de substâncias ilícitas nas prisões. A insegurança pública se tornou uma preocupação crescente após a fuga em La Joyita, especialmente após o assassinato de uma menina de 10 anos em um ataque a seu padrasto em junho, o que evidenciou a violência relacionada às gangues.

O presidente reconheceu que o sistema prisional panamenho “entrou em colapso”, não apenas devido a problemas organizacionais, mas também por corrupção interna. Ele mencionou que a entrada de drogas e armas nas prisões geralmente é facilitada por agentes penitenciários ou policiais que permitem essas atividades ilícitas. Em resposta a essa situação crítica, Mulino anunciou planos para construir um novo presídio destinado a isolar líderes de gangues, como parte de uma estratégia mais ampla para restaurar a ordem e segurança.

A situação do Panamá ecoa a de outros países da América Latina que buscam implementar modelos prisionais mais rigorosos, como o do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Desde 2022, Bukele tem liderado uma intensa campanha contra as gangues, resultando na prisão de cerca de 92 mil pessoas. Essa abordagem tem atraído a atenção de outros países da região, que enfrentam problemas semelhantes com a criminalidade e a influência das gangues.

As estatísticas de violência no Panamá são alarmantes, com uma taxa de homicídios de 14,2 por 100 mil habitantes em 2025. Em particular, a província de Colón apresentou índices três vezes superiores, refletindo o impacto da criminalidade em áreas específicas do país. A superlotação nas prisões também é um problema significativo; atualmente, as instalações abrigam aproximadamente 24 mil detentos, enquanto sua capacidade é de apenas 14.700, o que agrava ainda mais a crise no sistema penitenciário.

Diante desse cenário, as medidas do governo panamenho visam não apenas controlar a entrada de drogas e armas nas prisões, mas também restaurar a confiança da população nas instituições de segurança e justiça. A implementação do bloqueio aéreo é um passo inicial em um esforço mais amplo para enfrentar a corrupção e a violência associadas às gangues, buscando um futuro mais seguro para o Panamá.

Fonte: Link original

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