Bióloga do Inpa conquista prestigioso prêmio científico nacional

Bióloga do Inpa vence maior prêmio da ciência brasileira

Maria Teresa Fernandez Piedade, bióloga do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi escolhida como a vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais importante premiação da ciência brasileira, concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) em parceria com a Marinha do Brasil. Este reconhecimento, criado em 1981, é destinado a pesquisadores que se destacam em obras científicas ou tecnológicas de relevância. A entrega do prêmio ocorrerá em uma cerimônia no Rio de Janeiro no dia 7 de maio, onde Maria Teresa receberá um diploma, uma medalha e um prêmio em dinheiro de R$ 200 mil.

Com quase 50 anos de atuação em pesquisas na Amazônia, Maria Teresa é docente nos Programas de Pós-Graduação em Ecologia e Botânica do Inpa e lidera o grupo de pesquisa focado na ecologia e uso sustentável de áreas úmidas, denominado Maua. Sua paixão pela pesquisa na Amazônia começou durante sua graduação em Biologia na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Desde o início de sua carreira, ela buscou se especializar em ambientes aquáticos, decidindo trabalhar com os rios após uma viagem ao Rio Negro.

Após obter mestrado e doutorado no Inpa, Maria Teresa tornou-se pesquisadora efetiva em 1988, além de atuar como professora convidada em diversas instituições. Participou de iniciativas de cooperação científica internacional e integrou conselhos importantes, como o Conselho Nacional de Zonas Úmidas do Ministério do Meio Ambiente. Atualmente, suas pesquisas concentram-se nos efeitos da variação dos níveis de água durante as cheias e vazantes dos rios, analisando como essas flutuações influenciam os ecossistemas locais.

Maria Teresa também estuda os impactos de ações humanas, como a construção de barragens, nas florestas e nos cursos d’água da região. Em suas investigações, constatou que, após 30 anos da construção da Hidrelétrica de Balbina, as florestas em áreas adjacentes estão sofrendo degradação devido à irregularidade no suprimento de água, que agora responde à demanda energética. Ela enfatiza a importância dos cursos d’água da Amazônia para o Brasil e alerta sobre a degradação ambiental e as mudanças climáticas causadas por atividades humanas.

A pesquisadora destaca que os grandes rios, como o Amazonas, Solimões e Rio Negro, juntamente com os pequenos igarapés, formam um extenso sistema hídrico que abrange cerca de 1,75 milhão de km², quase três vezes a área do estado de São Paulo. Ela sublinha que a sociedade brasileira depende deste balanço hídrico, que é crucial para a formação dos chamados “rios voadores”, responsáveis pela umidade que chega a outras regiões do país.

Maria Teresa defende que suas investigações são essenciais para a designação de áreas de preservação e para compreender a fragilidade dos ecossistemas amazônicos. A conservação dos sistemas hídricos e florestais é vital para manter o funcionamento natural da região, que é fundamental para o equilíbrio ambiental não só da Amazônia, mas também de todo o Brasil.

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