Brasil proíbe uso de antibióticos na criação de animais

Brasil proíbe uso de antibióticos na criação de animais

Governo Federal Proíbe Uso de Antibióticos Como Promotores de Crescimento na Pecuária

Em uma medida inédita, o governo brasileiro proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, respondendo a uma crescente preocupação global sobre a resistência bacteriana. Essa decisão, que visa proteger a saúde pública, também alinha o Brasil a padrões sanitários já estabelecidos na União Europeia.

A nova portaria, publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (24), veta a importação, a fabricação, a comercialização e o uso de cinco antimicrobianos amplamente utilizados em sistemas intensivos de produção animal. Entre eles estão a avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalicilato e virginiamicina. A medida não impacta o uso terapêutico e prevê um período de transição para a retirada desses produtos do mercado.

Os antibióticos, que representam cerca de 75% das vendas globais, são frequentemente utilizados na pecuária não para tratar doenças, mas para acelerar o crescimento dos animais e prevenir infecções, práticas que têm sido alvo de críticas de especialistas. Um estudo da Proteção Animal Mundial, em parceria com a Universidade de Bolonha, revelou que a maioria dos antibióticos administrados em granjas industriais não é destinada ao tratamento de doenças.

A epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo, destacou que a portaria reflete o compromisso do Brasil com acordos internacionais sobre resistência antimicrobiana. Em 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma declaração para combater esse problema, e a criação do comitê interministerial de Uma Só Saúde, que envolve os ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente, foi fundamental para a elaboração da nova norma.

A medida é vista como um passo importante, mas especialistas alertam que o controle da resistência antimicrobiana vai além da regulamentação veterinária. O professor Carlos Veiga Kiffer, da Unifesp, ressalta que a agropecuária é apenas uma das dimensões do problema, que também envolve a saúde humana e questões ambientais, como o descarte inadequado de medicamentos.

A nova portaria é considerada uma mudança significativa na política de produção animal do Brasil. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que acompanhou os debates sobre a norma e vê essa nova regulamentação como um avanço para promover o uso racional de antimicrobianos e fortalecer a integridade da proteína brasileira nos mercados internacionais.

Com essa iniciativa, o Brasil se posiciona de maneira proativa em um cenário global que busca combater a resistência antimicrobiana, uma das principais ameaças à saúde pública mundial.

Fonte: Link original

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