As chuvas excessivas relacionadas ao Super El Niño têm causado danos significativos às culturas agrícolas no Sul do Brasil, particularmente no Paraná e no Rio Grande do Sul. Produtores de diversas culturas, como hortaliças, frutas, tabaco, cevada, aveia, trigo, canola e milho, estão enfrentando perdas devido a condições climáticas adversas, incluindo umidade excessiva, granizo e geadas, além de dificuldades na colheita.
No Rio Grande do Sul, as hortaliças, especialmente na Serra Gaúcha, foram severamente afetadas por tempestades intensas. Mateus Rocha, diretor técnico da Emater-RS, destacou que os danos vão além da perda das plantas, afetando a qualidade do solo, que se torna encharcado e suscetível à erosão e à lixiviação de nutrientes. As lavouras de inverno, como aveia, canola e cevada, estão sob pressão devido a doenças fúngicas, exacerbadas pelas chuvas e granizo. Rocha enfatizou que os produtores enfrentam um novo padrão climático que exige decisões técnicas mais apuradas para minimizar os impactos.
As chuvas também trouxeram outros eventos climáticos extremos. Em Liberato Salzano, mais de 500 propriedades rurais sofreram prejuízos significativos. O tabaco, recém-plantado, está enfrentando dificuldades para replantio, e os citros, como a laranja, já apresentam frutos caídos, impactando a futura safra. A produção de morangos também foi afetada, com a florada de agosto comprometida devido à umidade elevada e baixa radiação solar, resultando em frutos menores e deformados.
No Paraná, as chuvas têm prejudicado todas as culturas de inverno em fase de colheita. Carlos Winckler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral, observou que a manutenção das chuvas não é favorável, especialmente para a cevada, que está em fase reprodutiva. A umidade excessiva e a baixa incidência de luz solar favorecem o surgimento de doenças e o acamamento das plantas. Embora cerca de 8% da área já tenha sido colhida, a colheita de aveia está sendo atrasada pela umidade, e a batata enfrenta interrupções temporárias.
À medida que se aproxima a safra de verão, os desafios se intensificam. A previsão é de que as chuvas acima da média continuem, o que pode atrasar o plantio de soja, milho e arroz, especialmente se o solo permanecer muito úmido. No Rio Grande do Sul, geadas afetaram lavouras implantadas mais cedo, exigindo replantio em alguns casos. Rocha alertou que o período é crítico, pois coincide com o fim da colheita das culturas de inverno e o início do plantio das de verão, com a possibilidade de perda de oportunidades de trabalho devido à umidade do solo.
No Paraná, o plantio do milho de verão desacelerou, mas voltou a ganhar ritmo com períodos de clima mais seco. O plantio da soja já começou, embora em ritmo variável devido à umidade. Apesar dos desafios, Godinho acredita que não há indicações de prejuízos relevantes para a safra de verão até o momento. Por outro lado, as pastagens se beneficiaram das chuvas, apresentando boa produção de massa verde, exceto em áreas alagadas ou danificadas por ventos fortes.
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