Delcy Rodríguez promete eleições na Venezuela e ignora Maduro na ONU

Na ONU, Delcy ignora Maduro, acena a Trump e promete eleições na Venezuela

Durante um discurso na Assembleia Geral da ONU, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o país realizará eleições para escolher um novo presidente, destacando que o governo iniciou um processo de transição rumo à democracia. Embora tenha enfatizado a intenção de conduzir a Venezuela em direção a uma democracia plena, Rodríguez não especificou uma data para as eleições, afirmando que o povo decidirá o momento apropriado para a votação. Ela expressou sua responsabilidade histórica de guiar a nação “da incerteza e do conflito” para uma democracia reconhecida tanto pelo povo venezuelano quanto pela comunidade internacional.

Rodríguez mencionou que o governo venezuelano iniciou um diálogo com a oposição, buscando um processo de transição “ordenada, institucional e verificável”. Ela ressaltou que as instituições estariam preparadas para esse processo e que a recuperação do país exigiria tempo. Curiosamente, a presidente interina não fez referência ao ex-presidente Nicolás Maduro, que foi capturado por forças americanas em uma operação em Caracas no início do ano.

Além de abordar a transição política, Rodríguez agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por restabelecer relações diplomáticas com Caracas. Ela afirmou que a Venezuela está empenhada em reconstruir seus vínculos com Washington e outros países da região, buscando resolver diferenças por meio do diálogo. A presidente interina destacou a importância da cooperação nos setores de energia, segurança e combate ao crime transnacional.

Essa aproximação com os EUA ocorre após meses de negociações entre os governos venezuelano e americano, incluindo reuniões entre o governo de Rodríguez e membros da oposição apoiadas pelos Estados Unidos, com o objetivo de estabelecer uma transição democrática. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a Assembleia Nacional de 2015 está em contato regular com autoridades interinas venezuelanas para criar as condições necessárias para eleições justas.

Rodríguez assumiu a presidência interina após a captura de Maduro e desde então tem buscado negociações com o governo Trump, ao mesmo tempo em que preserva a estrutura política associada ao chavismo. Desde sua ascensão, a Venezuela fez concessões em setores estratégicos, como o petróleo, e permitiu uma maior supervisão da presença americana no país. Em declarações anteriores, Trump expressou ceticismo sobre a prontidão da Venezuela para eleições democráticas, mas esperava que elas ocorressem em breve. Recentemente, Trump anunciou um acordo petrolífero com a Venezuela que aumentaria as reservas dos EUA.

Rodríguez também abordou os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho, que resultaram em mais de 6.500 mortos. Ela enfatizou a necessidade de renascimento do país após este desastre, convocando os venezuelanos a se unirem em meio às dificuldades. A presidente interina concluiu seu discurso enfatizando que a força de um povo é medida não em tempos fáceis, mas em momentos de crise e dor, sugerindo um apelo à esperança e à reconstrução nacional.

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