Funcionária é demitida após recusar sistema de monitoramento que captura imagens a cada 3 minutos
Uma polêmica sobre monitoramento digital no ambiente de trabalho ganhou destaque em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Glennis Von Sander-Timinski, funcionária da Sutherland Healthcare Solutions, alega ter sido demitida após recusar um sistema que exigia a captura de cerca de 160 fotos de seu rosto diariamente via webcam.
Desde 2018, Glennis trabalhava remotamente para a empresa. No entanto, em agosto, a Sutherland anunciou a implementação do sistema Sentinel AI, que utilizaria a webcam do laptop para registrar uma imagem a cada três minutos durante um expediente de oito horas. O software também aplicaria reconhecimento facial para verificar a presença da funcionária em frente ao computador.
Preocupada com sua privacidade e saúde mental, Glennis solicitou uma adaptação ao novo sistema. Seu médico enviou uma recomendação que pedia uma redução na frequência das capturas, citando o aumento do estresse e a intensificação de sintomas de ansiedade. Contudo, segundo o processo judicial, a empresa rejeitou a solicitação de diminuição no monitoramento.
As alternativas apresentadas pela Sutherland foram: aceitar o sistema de vigilância, retornar ao trabalho presencial ou se desligar da companhia. Glennis estimou que o tempo de deslocamento diário para o escritório seria de aproximadamente seis horas. Infelizmente, em 8 de setembro, ela foi demitida.
Os advogados de Glennis argumentam que a empresa não ofereceu uma adaptação razoável, conforme previsto pela legislação de Nova Jersey. O caso está em andamento, e as alegações ainda não representam uma decisão formal sobre a conduta da Sutherland. A Justiça será responsável por determinar se houve violação das leis estaduais.
Vale ressaltar que alguns estados americanos têm começado a regular essas práticas. No Maine, uma nova lei que entrará em vigor em 2026 proibirá o monitoramento de funcionários em casa, em bens pessoais ou em veículos particulares, a não ser que seja estritamente necessário para o trabalho. Além disso, as empresas devem informar os colaboradores antes de iniciar qualquer forma de vigilância.
A evolução do monitoramento no ambiente de trabalho
A tecnologia de monitoramento de funcionários tem se tornado cada vez mais sofisticada. Atualmente, as empresas têm a capacidade de acompanhar a localização, produtividade e comunicações dos colaboradores em dispositivos corporativos. Algumas ferramentas conseguem até acessar câmeras de notebooks e celulares fornecidos pelos empregadores.
Recursos semelhantes são comuns em softwares amplamente utilizados no ambiente corporativo. O Microsoft Teams, por exemplo, pode identificar quando um funcionário está presente no escritório ao detectar a conexão com a rede Wi-Fi da empresa. Após críticas sobre a possibilidade de monitorar atividades como o envio de e-mails e a participação em chats, a Microsoft também fez alterações em seu pacote Office 365.
Este episódio remete a um caso anterior na Holanda, onde uma empresa foi condenada por demitir um funcionário que se recusou a manter a webcam ligada durante o trabalho remoto, destacando a crescente preocupação com a privacidade e os direitos dos trabalhadores em meio ao avanço das tecnologias de monitoramento.
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