Greve dos Ferroviários da CPTM Continua e Impacta Milhares de Passageiros em São Paulo
A greve dos ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entra em seu segundo dia, nesta quarta-feira, 5 de outubro, afetando a circulação dos trens na Grande São Paulo. A situação, que já era crítica no primeiro dia de paralisação, mantém os passageiros em alerta.
Às 6h10, a linha 11 operava apenas entre as estações Barra Funda e Guaianases, enquanto a linha 12 realizava viagens entre Brás e Engenheiro Goulart. A linha 13 apresentava intervalos mais longos entre Engenheiro Goulart e o Aeroporto de Guarulhos. Os demais serviços foram substituídos por ônibus do Plano de Apoio entre Empresas de Transporte em Situações de Emergência (Paese).
A manhã desta quarta-feira trouxe um movimento intenso na estação Guaianases, que estava muito mais cheia do que o habitual. Os primeiros trens estavam lotados, com intervalos de cerca de cinco minutos entre as partidas até as 4h40. Muitos passageiros, temerosos de atrasos semelhantes aos do dia anterior, correram para garantir seus lugares.
Reginaldo da Silva, 43 anos, que reside em Ferraz de Vasconcelos, relatou sua frustração ao tentar chegar ao trabalho. “Ontem eu nem consegui chegar”, disse ele, que tentou pegar um ônibus do Paese sem sucesso. “Liguei no trabalho e disse que não seria possível.” Apesar de suas tentativas, Reginaldo ainda chegou atrasado, desembarcando na estação Guaianases por volta das 4h40, com um longo trajeto até a estação Barra Funda, onde seu expediente começa às 5h.
Outro passageiro, Nailton Lins da Silva, de 54 anos, acordou mais cedo para evitar novos atrasos. Ele, que trabalha como porteiro em Mogi das Cruzes, compreende a motivação da greve, mas ressalta que a paralisação afeta os trabalhadores. “Eu sei que estão lutando pelos direitos deles, mas isso prejudica os nossos direitos”, afirmou.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu manter a greve por tempo indeterminado após uma assembleia na noite de terça-feira. Em comunicado, o sindicato informou que tentou negociar com o governo estadual, mas não obteve garantias concretas sobre a manutenção dos empregos dos ferroviários, mesmo com a concessão dos ramais à iniciativa privada. Uma nova assembleia está programada para esta quarta-feira, às 17h, para discutir os próximos passos do movimento.
A administração estadual considera a greve injustificável, destacando os prejuízos significativos para quase 1 milhão de passageiros que dependem do transporte ferroviário diariamente. O governo afirma que a paralisação desrespeita a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que estipulou a manutenção de 80% do efetivo durante os horários de pico. No entanto, a CPTM funcionou com apenas 53% dos funcionários no período de maior movimento na noite anterior.
Enquanto isso, os trabalhadores estão enfrentando custos elevados para chegar ao trabalho. Ana Ribeiro Martins, técnica em enfermagem de 40 anos, moradora de Poá, relatou que teve que utilizar um aplicativo de transporte, pagando R$ 35 por uma viagem que normalmente custaria R$ 60. "É um absurdo", desabafou.
A prefeitura de São Paulo informou que o rodízio municipal de veículos permanece suspenso e que tanto a CPTM quanto o Metrô intensificarão suas operações para minimizar os impactos na população. Com a greve, os ramais afetados transportam cerca de 785 mil passageiros em dias úteis, evidenciando a relevância desse serviço para a mobilidade urbana.
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