Investigação apura contratos de ex-diretor do Memorial da América Latina

Investigação apura contratos de ex-diretor do Memorial da América Latina

Fundação Memorial da América Latina Investiga Ex-Diretor por Irregularidades em Gestão

A Fundação Memorial da América Latina (FMAL) iniciou um procedimento administrativo e a Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação contra o ex-diretor de Atividades Culturais, João Carlos Moreira Corrêa. As suspeitas giram em torno de irregularidades cometidas durante sua gestão entre janeiro de 2023 e maio de 2026.

Corrêa, que também acumulou a função de chefe de gabinete, foi desligado após a atual administração ficar ciente, pela imprensa, de um plano de privatização do espaço cultural, proposto pelo governador Tarcísio de Freitas. O presidente da FMAL, Pedro Machado Mastrobuono, expressou sua decepção com Corrêa e se posicionou contra a concessão do memorial, defendendo um modelo de gestão que prioriza o controle e a transparência.

As denúncias contra Corrêa incluem contratos sem licitação, falta de prestação de contas e o extravio de peças do acervo do memorial. Além disso, ele é acusado de acesso indevido a correspondências eletrônicas da fundação e de conceder descontos exagerados em aluguéis, que totalizam R$ 24 milhões — um valor maior que o orçamento anual do Memorial, que é de R$ 21 milhões.

O inquérito 593/2026, da 23ª Delegacia de São Paulo, e o processo administrativo foram instaurados em junho, logo após a exoneração de Corrêa. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que está realizando diligências com base em documentos fornecidos pela nova gestão.

Irregularidades e Denúncias

Durante sua gestão, Corrêa tinha a responsabilidade de analisar contratos de permissão de uso e serviços da Fundação, em colaboração com um gerente de finanças a ele indicado. Em sua administração, foram publicadas quatro revistas institucionais com valores próximos ao limite de dispensa de licitação.

Entre 2023 e 2026, Corrêa também se envolveu em estudos sobre modelos de gestão de equipamentos culturais, enquanto defendia informalmente a utilização de naming rights para espaços do memorial, prática que permite que empresas paguem para associar suas marcas a esses locais.

Além das irregularidades na FMAL, Corrêa enfrenta um procedimento na Secretaria de Cultura do Distrito Federal por não prestar contas de um projeto de educação artística, resultando em uma dívida de R$ 100 mil.

A Privatização em Questão

A proposta de privatização do Memorial gerou controvérsia e desconfiança. Mastrobuono afirmou que a presidência nunca foi consultada sobre o tema e criticou a falta de transparência nas discussões sobre a concessão. Ele descreveu a eventual privatização como uma "prostituição" do patrimônio público, ressaltando que a FMAL deveria continuar a operar como um espaço cultural acessível.

A Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo informou que o processo de concessão está em fase preliminar e que haverá diálogo institucional contínuo. Contudo, a Secretaria da Cultura contradisse a afirmação de que os dirigentes do memorial não foram ouvidos.

Atualmente, o Memorial da América Latina abriga eventos culturais, mantendo áreas abertas ao público e reservadas para cumprir sua missão de promover a cultura latino-americana. A gestão atual tem se concentrado na valorização desses espaços, incluindo a parceria com universidades para atividades acadêmicas.

As investigações sobre Corrêa e as práticas de sua gestão continuam, e o Brasil de Fato está em busca de esclarecimentos junto ao ex-diretor e à Hype Produções Culturais. Atualizações sobre o caso serão fornecidas assim que novas informações forem obtidas.

Fonte: Link original

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