Jovem sofre sequelas após aventura na montanha-russa Montezum

Entenda caso de jovem com sequelas após andar na montanha-russa Montezum

O Ministério Público de São Paulo está investigando o caso de Júlia Bossoni, de 28 anos, que sofreu graves consequências após andar na Montezum, uma montanha-russa de madeira localizada no Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. O acidente ocorreu em abril de 2025, quando Júlia e seu marido, João Pedro Bossoni, visitaram o parque. Após uma primeira volta na atração, que possui 42 metros de altura e pode atingir 103 km/h, o casal ganhou um passaporte VIP e decidiu andar novamente. As câmeras do parque registraram o momento em que se sentaram nos bancos de trás da montanha-russa.

Durante a subida, Júlia aparentava estar bem, mas, ao retornar, ela foi encontrada desacordada e convulsionando. Em questão de minutos, ela foi levada para a UTI da Santa Casa de Vinhedo, onde foram realizados exames que revelaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. Ela passou por uma craniectomia descompressiva, uma cirurgia que envolve a remoção de parte do crânio. O laudo médico indicou que Júlia sofreu traumatismo cranioencefálico (TCE) devido a movimentos bruscos durante o percurso, conhecidos como contragolpe. A família de Júlia afirmou que ela não tinha condições médicas prévias e, após o acidente, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, enfrentando dificuldades de fala e memória.

Júlia não foi a única a sofrer lesões na Montezum. Em 2018, a professora Nathalia Assenjo Motta relatou ter passado por um mecanismo de chicote que resultou no deslocamento de vértebras, levando-a a necessitar de pinos e hastes na cervical e a perder a mobilidade do pescoço. O parque a indenizou por danos materiais. Em 2014, um motoboy chamado Márcio ficou tetraplégico após romper duas vértebras na mesma atração e faleceu em 2023 devido a complicações de saúde relacionadas. Além desses casos, existem pelo menos 40 relatos recentes de visitantes que relataram dores no pescoço, lesões no joelho e costelas quebradas após utilizarem a montanha-russa.

Em resposta às ocorrências, a administração do Hopi Hari declarou que a Montezum possui certificação internacional do grupo alemão TÜV Nord e passa por inspeções anuais, além de seguir normas da ABNT e realizar manutenção diária em seus trilhos, travas e freios. O parque também afirmou ter prestado pronto atendimento a Júlia e coberto suas despesas durante a internação, além de disponibilizar um seguro para a família. Sobre os casos anteriores, a atual gestão do parque destacou que as ocorrências de Nathalia e Márcio aconteceram antes de 2019, quando havia uma administração diferente, e que as reclamações recentes são consideradas um índice estatisticamente baixo em comparação ao número de visitantes da atração, que supera 470 mil. O parque anunciou também que planeja uma reforma na Montezum para o final de 2026, visando aumentar a segurança da atração. A situação de Júlia e as investigações do Ministério Público continuam a suscitar preocupações sobre a segurança das montanhas-russas e a responsabilidade dos parques de diversões.

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