STF Converte Prisão de Pastor Márcio Poncio em Domiciliar por Motivos de Saúde
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu converter a prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio em prisão domiciliar. A medida, anunciada após a análise do estado de saúde do investigado, inclui várias restrições, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros envolvidos na investigação.
Márcio Poncio foi detido pela Polícia Federal na última quinta-feira (2), em uma operação que investiga um suposto esquema de pagamentos relacionados ao jogo do bicho e à "Máfia do Cigarro", ambos operando no Rio de Janeiro. O pastor, que já passou por uma cirurgia para a retirada do intestino grosso e do reto, enfrenta um quadro de retocolite ulcerativa grave e requer tratamento médico contínuo.
Na sua decisão, Moraes também considerou a situação da esposa de Poncio, que está com uma gravidez de alto risco. Além da monitoração eletrônica, o magistrado impôs restrições que incluem a proibição de uso de redes sociais e a suspensão de registros de porte de arma em nome do pastor, além da entrega de seus passaportes.
Márcio Poncio é conhecido por ser o fundador da Igreja da Nuvem e pai da deputada estadual Sarah Poncio, assim como do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Ele é um dos alvos da Operação Unha e Carne, que visa desmantelar uma rede de corrupção que envolve pagamentos ilícitos a agentes públicos.
Operação Unha e Carne: Investigação Sobre Lavagem de Dinheiro
A quinta fase da Operação Unha e Carne tem como foco a investigação de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado à liderança do jogo do bicho. A operação também busca identificar possíveis conexões entre a organização criminosa e membros dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Esse desdobramento é parte da Operação Fumus, iniciada em junho de 2021, que investigou o comércio ilegal de cigarros na Região Metropolitana do Rio. Durante a operação anterior, a Polícia Federal apreendeu documentos que continham registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras suspeitas.
De acordo com a PF, esses documentos sugerem que pelo menos 20 políticos fluminenses podem ter recebido repasses financeiros oriundos do esquema de Adilsinho, um contraventor que é apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho na região. Adilsinho foi preso em fevereiro em Cabo Frio (RJ), após ser localizado por meio de monitoramento com drones.
As investigações continuam e, segundo informações da TV Globo, mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) estão sendo analisados por possíveis recebimentos de pagamentos mensais relacionados ao esquema. Até o momento, não há conclusão judicial sobre as alegações em curso.
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