Em setembro, mutirões de limpeza de praias estão programados em diversas localidades do litoral brasileiro, envolvendo a população em ações que contam com a participação de escolas, comunidades, organizações locais, gestores públicos e voluntários. Essas iniciativas, que ocorrerão em cidades como Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Cumuruxatiba, Prado na Bahia, além de Macaé (RJ) e Maceió, fazem parte do apoio ao World Cleanup Day, um evento global focado no combate ao lixo descartado inadequadamente no meio ambiente.
A Rede de Conservação da Biodiversidade Marinha (Biomar), que lidera essas ações em parceria com projetos como Albatroz, Baleia Jubarte, Golfinho Rotador e Meros do Brasil, busca não apenas a limpeza das praias, mas também promover a educação ambiental. Os resíduos coletados nas praias são triados, pesados e registrados, fornecendo dados que contribuem para diagnósticos ambientais e subsidiando pesquisas e políticas públicas voltadas à proteção dos oceanos.
Flavia Guebert, diretora do Projeto Coral Vivo, destaca que essas ações são uma oportunidade para que a sociedade tome consciência da quantidade e tipo de lixo que chega às praias. Ela enfatiza a importância da mobilização individual, como o uso de sacolas retornáveis e a reciclagem, para criar hábitos de consumo mais sustentáveis e minimizar a poluição. A ação também visa alertar sobre os impactos da poluição na biodiversidade marinha, onde resíduos plásticos e microplásticos podem ser ingeridos por animais e afetar ecossistemas frágeis, como os recifes de coral.
Desde 2018, as ações da Rede Biomar resultaram na mobilização de mais de 4,4 mil voluntários, que retiraram cerca de 17 toneladas de lixo do litoral brasileiro. Em 2025, 1.813 pessoas participaram de mutirões em cinco estados, percorrendo 28 quilômetros de praias e coletando 4,7 toneladas de resíduos. O plástico continua a ser o resíduo mais predominante, representando 36,6% do peso coletado. Durante a primeira limpeza de 2025, realizada em Prado, 87 voluntários recolheram 418 quilos de lixo em apenas uma hora, com o plástico sendo o material mais comum.
Entre os achados curiosos, destacam-se fardos de borracha da Segunda Guerra Mundial, garrafas PET com rótulos em chinês e itens como um assento sanitário e um botijão de gás, evidenciando a persistência dos resíduos no ambiente e sua dispersão por correntes marítimas e ventos.
A programação dos mutirões inclui várias datas e locais, com ações em Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Macaé, Maceió, Mucuri, Barreiros e São Sebastião. No Rio de Janeiro, a praia de Copacabana também receberá um mutirão, liderado pelo Instituto Limpa Brasil, que incentiva a participação cidadã na transformação ambiental. A diretora executiva do instituto, Edilainne Muniz, ressalta a importância de cada cidadão ser protagonista na mudança, afirmando que a transformação ambiental pode começar com apenas 5% da população decidindo agir.
O Dia Mundial da Limpeza, considerado o maior movimento cívico global em defesa do meio ambiente, mobiliza milhões de pessoas em mais de 212 países, destacando a importância da colaboração comunitária na luta contra a poluição e na preservação do meio ambiente.
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