Polícia Federal descarta hipótese de irmãos desaparecidos em operação nos EUA
A busca por Allan Michael, de 4 anos, e Ágatha Isabelly, de 6, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, Maranhão, ganhou um novo desdobramento. A Polícia Federal (PF) confirmou, nesta quinta-feira (10), que os irmãos não estão entre as 163 crianças resgatadas em uma operação realizada na Flórida, nos Estados Unidos.
A confirmação surge um dia após a mãe das crianças, Clarice Cardoso, fornecer material genético à PF, levantando a possibilidade de que um dos menores resgatados pudesse ser Allan. Essa suspeita surgiu após Clarice identificar semelhanças físicas entre seu filho e uma imagem de uma criança divulgada pelas autoridades da Flórida. Na quarta-feira (9), ela visitou a sede da PF em São Luís em busca de esclarecimentos sobre o caso.
O material coletado foi enviado ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, onde será utilizado para a elaboração do perfil genético e possível inclusão no Banco Nacional de Perfis Genéticos. Isso permitiria comparações por meio da Interpol, caso novas informações surgissem. Contudo, a PF descartou a presença de Allan e Ágatha entre as crianças resgatadas.
Operação "Statewide Shield" resgata 163 crianças
A operação "Statewide Shield" mobilizou diversas autoridades dos Estados Unidos e resultou no resgate de 163 crianças, que, segundo relatos, estavam expostas a abusos e negligência. Este foi considerado o maior resgate do tipo já realizado na Flórida, culminando na prisão de três suspeitos.
A imagem de um menino debilitado, que apareceu durante a divulgação da operação, levou Clarice a acreditar que poderia ser Allan. "Não dá para ter muita certeza, mas cada característica da criança é igual à do Michael", disse a mãe. Contudo, a PF agora reafirma que os irmãos não estão entre os menores resgatados.
Alerta internacional e novas buscas
Apesar da confirmação da PF, o caso de Allan e Ágatha não será esquecido. A polícia anunciou que solicitará a inclusão dos irmãos no sistema de Difusão Amarela da Interpol, um mecanismo que ajuda na localização de pessoas desaparecidas internacionalmente. As informações serão analisadas pela Interpol, que decidirá sobre a divulgação do alerta.
Essa ação contrasta com declarações do governador do Maranhão, Carlos Brandão, que havia afirmado que os irmãos já estavam na lista da organização. Brandão também destacou que a colaboração da Interpol foi estabelecida após articulações entre a Polícia Civil e a Polícia Federal, com o intuito de ampliar as buscas fora do Brasil.
Desaparecimento que preocupa a comunidade
Allan e Ágatha desapareceram no dia 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos. Eles estavam brincando com o primo Anderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado três dias depois a cerca de quatro quilômetros do local. Durante as buscas, Anderson indicou uma casa abandonada onde ele e os primos poderiam ter estado após o desaparecimento, e cães farejadores identificaram vestígios na área.
Mais de 600 pessoas, entre policiais, bombeiros e voluntários, participaram das buscas, que incluíram varreduras em áreas de mata e no rio Mearim. No entanto, nenhum vestígio conclusivo de Allan e Ágatha foi encontrado. Com o tempo, o número de buscas em campo diminuiu, e a investigação passou a ser liderada pela Polícia Civil do Maranhão.
Mais de oito meses após o desaparecimento dos irmãos, a esperança da família foi reavivada com a possibilidade de um novo desdobramento, mas a confirmação da PF agora elimina essa expectativa. A luta pela localização de Allan e Ágatha continua, e a comunidade permanece atenta ao desenrolar desse triste caso.
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