Polícia desmantela plantação de cannabis medicinal em Itupeva

Polícia desmantela plantação de cannabis medicinal em Itupeva

Polícia Civil Destrói Cultivo de Cannabis Medicinal em Itupeva e Prende Três Membros da Associação

Uma operação da Polícia Civil na Associação e Organização de Apoio à Cultura e Capoeira de Itupeva (Osaci), localizada no interior de São Paulo, resultou na prisão preventiva de três integrantes e na destruição completa de um cultivo de cannabis medicinal. A ação, iniciada na terça-feira (25) a partir de uma denúncia anônima, culminou na queima de centenas de plantas nesta sexta-feira (28).

A destruição do cultivo interrompe o tratamento de mais de 900 pacientes que utilizavam o óleo de cannabis para tratar condições como epilepsia, Alzheimer, autismo e dores crônicas. A advogada Juliana Oliveira, que defende a Osaci, afirma que a ação é ilegal, já que os habeas corpus dos detidos permanecem ativos.

Juliana, que também é fundadora do Coletivo Japã, destaca a importância da associação, que combina práticas de medicina ancestral e terapias com esporte e arte. A defesa, composta por Juliana e outros três advogados, protocolou um habeas corpus na tentativa de reverter as prisões, que consideram arbitrárias e sem respaldo jurídico.

Membros da Osaci relataram que, no dia 25, os policiais invadiram a chácara sem apresentar um mandado de busca. O diretor da associação, Denis Lopes, e os colaboradores Bruno Silva e Roni Novais foram levados à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) em Jundiaí, onde, segundo relatos, houve filmagens não oficiais com armas em comemoração à operação.

Na quarta-feira (26), o juiz Guilherme Moret converteu as prisões em preventivas, apesar de reconhecer possíveis irregularidades na conduta policial.

Destruição e Consequências para a Saúde Pública

Na tarde de sexta-feira, policiais voltaram à sede da Osaci com tratores e caminhões, destruindo a plantação de cannabis sem apresentar uma ordem judicial. A defesa acusou a polícia de não realizar a pesagem ou contagem do material e de não deixar amostras para contraprova. O psicólogo Thiago Borges, membro da Osaci, lamentou a destruição em vídeo, alertando sobre as consequências para a saúde pública de centenas de famílias.

Desde sua fundação em 1999 e formalização em 2005, a Osaci recebeu o Título de Utilidade Pública Municipal em 2008. Seu trabalho foi reconhecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado, destacando seus protocolos de assistência social como referência nacional.

Reações e Mobilização Social

Ativistas veem a operação como um retrocesso nos debates sobre a regulação da cannabis no Brasil, especialmente após as resoluções da Anvisa que criaram um "sandbox regulatório" para cultivos associativos sem fins lucrativos. O advogado Erik Torquato, em um vídeo, expressou o lema da Osaci: "Maconha medicinal, produto nacional, reparação social".

Movimentos sociais e o Coletivo Japã estão organizando atividades de solidariedade para exigir a liberdade dos detidos. Um ato público está marcado para a noite deste sábado (29), durante a Batalha da Aldeia, um evento cultural no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

Resposta das Autoridades

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) foi contatada para comentar sobre a operação, a ausência de mandado judicial e as denúncias relacionadas à exposição dos detidos, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações da SSP-SP.

Fonte: Link original

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