As eleições presidenciais no Peru, realizadas em 12 de abril, estão gerando grande expectativa, mas os resultados definitivos só devem ser conhecidos em meados de maio, devido à lentidão na apuração e à análise de milhares de atas eleitorais contestadas. Até o momento, com 93,6% das atas contabilizadas, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera as votações, com 17% dos votos. Ela é seguida de perto por Roberto Sánchez, representante do campo popular, com 12%, e Rafael López Aliaga, candidato de extrema direita, com 11,9%. A disputa entre Sánchez e López Aliaga pela segunda vaga no segundo turno, marcado para 7 de junho, está acirradamente próxima, com uma diferença de apenas 14.092 votos.
Yessica Clavijo, secretária-geral do Jurado Nacional de Eleições, informou que a lentidão na apuração se deve à revisão de mais de 15 mil atas contestadas, das quais 30% correspondem à eleição presidencial. A previsão é que os resultados do pleito presidencial estejam disponíveis até a metade de maio, o que permitirá a definição dos candidatos que avançarão para o segundo turno.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país de forma autoritária de 1990 a 2000, já tentou a presidência em outras três ocasiões (2011, 2016 e 2021), mas foi derrotada em todas. Roberto Sánchez, que se destaca nas regiões amazônicas e andinas do Peru, é psicólogo, ex-congressista e foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, que foi deposto em 2022. Por outro lado, Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, vem criticando o processo eleitoral e chamou a votação de “fraude”, pedindo a nulidade das eleições. Ele chegou a oferecer recompensas em dinheiro para quem apresentar provas de irregularidades.
As eleições deste ano foram marcadas por diversos problemas logísticos, como atrasos na distribuição de urnas e cédulas, que resultaram na necessidade de estender a votação para mais de 50 mil eleitores em Lima, onde vários centros não abriram no dia programado. A situação gerou intervenções de promotores e policiais na Oficina Nacional de Processos Eleitorais, responsável pela organização do pleito. O chefe do órgão, Piero Corvetto, e outros funcionários enfrentam denúncias por supostos crimes relacionados ao sufrágio.
Diante deste cenário, a tensão política no Peru aumenta à medida que os cidadãos aguardam os resultados das eleições. O clima eleitoral é marcado pela polarização entre candidatos de diferentes espectros políticos, refletindo as divisões sociais e políticas que permeiam o país. O desfecho deste processo eleitoral poderá ter implicações significativas para o futuro do Peru e para a estabilidade política da região. A espera pelos resultados definitivos e a possibilidade de contestações adicionais mantêm a população em alerta, enquanto as diferentes facções políticas se preparam para o que poderá ser uma disputa acirrada para o segundo turno.
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