A Aliança Internacional para Indicadores Básicos para Saúde e Equidade Pré-Concepcional (iCIPHE) está desenvolvendo um conjunto de parâmetros para monitorar a saúde pré-concepcional em diversas regiões do mundo. A proposta é essencial, pois ainda não existe um consenso global sobre indicadores que abranjam não apenas as mulheres, mas todos os indivíduos que podem engravidar ou ter filhos. Ana Luiza Vilela Borges, uma das autoras do artigo, ressalta a importância de estabelecer uma lista padronizada de indicadores que possa facilitar a avaliação dos serviços de saúde pública e aumentar a conscientização da população sobre a saúde pré-concepcional.
Para que esses indicadores sejam eficazes, eles devem ser de fácil atualização e comparabilidade entre países, independentemente de suas condições econômicas. Embora alguns sistemas de informação já integrem critérios sugeridos pelo estudo, outros dependem de inquéritos nacionais de saúde, que nem sempre são realizados com a frequência necessária. A implementação de um sistema consolidado poderia melhorar a coleta regular de dados, unindo informações de pesquisas existentes, como a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), que não é realizada há 20 anos.
A relevância de considerar indicadores na população em geral é destacada, pois muitas vezes não é possível monitorar a saúde pré-concepcional de todos os casais. Ana Luiza aponta que cerca de metade das gestações no Brasil são indesejadas, ocorrendo em momentos não planejados. Embora o Brasil tenha um volume considerável de dados disponíveis, muitos estão desatualizados, e ainda falta prioridade para os cuidados pré-gestacionais, com o foco excessivamente voltado para as mulheres grávidas.
Além disso, a compreensão da comunidade sobre a importância da saúde pré-concepcional é uma barreira significativa, já que esse tema muitas vezes não é abordado na formação dos profissionais de saúde ou nas práticas diárias. Ana Luiza enfatiza que, embora o foco dos indicadores esteja nas mulheres, todos os envolvidos na concepção, incluindo homens, pessoas trans e indivíduos não binários, devem ter sua saúde considerada, pois a literatura já demonstra o impacto da saúde pré-concepcional nos resultados obstétricos e neonatais.
Na próxima fase do estudo, a Aliança busca construir um consenso entre especialistas, formuladores de políticas e a população em idade reprodutiva. Para isso, está sendo aplicado um questionário direcionado a profissionais de saúde e à comunidade entre 18 e 49 anos, na tentativa de reunir opiniões e informações que ajudem a moldar os indicadores propostos.
O artigo “Medindo o progresso no planejamento da gravidez e na saúde pré-concepcional” foi publicado na revista A Lancet, e mais informações podem ser obtidas através do contato com Ana Luiza. O trabalho da Aliança iCIPHE é um passo importante na busca por um entendimento e uma abordagem mais abrangente e inclusiva da saúde pré-concepcional, visando melhorar a qualidade dos serviços de saúde e, consequentemente, os resultados de saúde para futuras gerações.
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