Desfiles do Grupo Especial agitam a Marquês de Sapucaí com homenagens a artistas brasileiros e a luta pela liberdade
Na segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval carioca, a Marquês de Sapucaí foi palco de apresentações marcantes que exaltaram a arte nacional e a busca por liberdade. O evento, realizado na noite de segunda-feira (16), contou com as escolas Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca.
Cada uma das agremiações teve um tempo máximo de 80 minutos para brilhar na avenida. O grande encerramento do carnaval ocorrerá na próxima noite, de terça-feira (17) para quarta-feira (18), com as apresentações de Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
Mocidade Independente de Padre Miguel homenageia Rita Lee
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira a se apresentar, trazendo um enredo emocionante em homenagem à icônica Rita Lee. Intitulado “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, o desfile celebrou o legado musical e cultural da artista. A escola fez uma viagem pela estética psicodélica dos anos 60, destacando a importância da Tropicália na música brasileira.
Um dos momentos mais impactantes foi o imenso abre-alas, que apresentou dez balões a 35 metros de altura, simbolizando a formação da banda Os Mutantes. A apresentação incluiu referências à prisão de Rita Lee durante a ditadura militar, com elementos visuais que evocaram a censura da época. Em respeito à causa animal, a escola atendeu ao pedido da família da cantora e não utilizou penas em suas fantasias.
Beija-Flor exalta a tradição afro-religiosa
A Beija-Flor de Nilópolis, atual campeã, trouxe um enredo que homenageou o Bembé do Mercado, uma das mais importantes celebrações afro-religiosas da Bahia. Com a ausência do famoso intérprete Neguinho da Beija-Flor, Ninno e Jéssica Martin assumiram a responsabilidade de cantar a história. Jéssica, ex-passista, foi a única mulher entre os intérpretes do Grupo Especial.
Destaque para a comissão de frente que apresentou um barco transformando-se em Mãe D’água, em uma coreografia que utilizou um jogo de luzes impressionante. A Beija-Flor também celebrou os 30 anos da dupla Selminha Sorriso e Claudinho na escola, consolidando sua tradição no carnaval.
Viradouro presta tributo a Mestre Ciça
A Unidos do Viradouro fez uma homenagem especial ao Mestre Ciça, renomado comandante da bateria da escola, durante sua apresentação na madrugada de terça-feira (17). Um dos pontos altos foi a recriação de um desfile inovador de 2007, quando toda a bateria subiu em um carro alegórico. Ciça, acompanhado da rainha de bateria Juliana Paes, emocionou o público ao subir a escadaria do carro.
O abre-alas da Viradouro impressionou com a figura de um leão majestoso, simbolizando a Estácio de Sá, e a alegoria foi acompanhada por uma performance envolvente.
Unidos da Tijuca retrata a vida de Carolina Maria de Jesus
Fechando a noite, a Unidos da Tijuca trouxe à Sapucaí a história da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de Despejo”. O enredo retratou de forma sensível a vida de Carolina, suas lutas e conquistas, além do preconceito enfrentado por uma mulher negra na sociedade da época.
A escola apresentou uma evolução marcante e suas fantasias representaram com profundidade a pobreza vivida por Carolina, destacando sua trajetória de vida e a resistência diante das adversidades.
Com uma noite repleta de emoção e arte, o Carnaval carioca segue seu curso, prometendo mais desfiles memoráveis na sequência do evento.
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