O senador Jorge Seif Júnior (PL-SC) protocolou, na Embaixada dos Estados Unidos, um pedido de asilo político para o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi preso em Orlando pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE). O pedido de asilo se estende também à família de Ramagem, e no documento, o senador argumenta que todos os envolvidos nos eventos do 8 de janeiro seriam considerados “perseguidos políticos”. Ele ainda convidou outros parlamentares a apoiarem a solicitação de refúgio para Ramagem nos EUA.
A detenção de Ramagem, confirmada pela Polícia Federal brasileira, ocorreu após uma abordagem por uma infração de trânsito, durante a qual foi verificada a invalidade de seu passaporte diplomático. O passaporte havia sido anulado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025, logo após a cassação de seu mandato. A Polícia Federal informou que sua prisão foi resultado de “cooperação internacional” entre Brasil e EUA, o que foi contestado por alguns jornalistas, incluindo Paulo Figueiredo, que comentou sobre a situação nas redes sociais.
Ramagem, que ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é acusado de utilizar a estrutura da agência para criar “milícias digitais”, um ato que, segundo as acusações, teria contribuído para um “cenário de instabilidade institucional”. Este cenário culminou em tentativas de golpe e nas invasões aos prédios dos três poderes, ocorridas em 8 de janeiro. No entanto, a defesa de Ramagem argumenta que, tendo ele sido recentemente eleito deputado federal, seria ilógico que ele tivesse a intenção de atentar contra o próprio Congresso Nacional. Os advogados também ressaltam que não existem manifestações de Ramagem que possam ser interpretadas como um estímulo à rebeldia de eleitores descontentes com os resultados eleitorais, especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Seif Júnior, em sua postagem nas redes sociais, expressou preocupação com a situação política no Brasil, afirmando que existe uma “clara perseguição” a opositores políticos do governo de Bolsonaro. Ele enfatizou que, quando a liberdade é ameaçada, o silêncio não deve ser uma opção. O senador solicitou que o caso de Ramagem fosse encaminhado ao Secretário de Estado dos EUA, ao Procurador-Geral de Justiça e a outras autoridades responsáveis pela política migratória dos Estados Unidos.
A situação de Ramagem e o pedido de asilo levantam questões sobre a liberdade política e a perseguição a opositores em um contexto de polarização política intensa no Brasil. O desdobramento do caso e a reação das autoridades americanas são esperados com atenção, dado que envolvem tanto questões jurídicas quanto diplomáticas, além de refletirem um cenário político conturbado que persiste no Brasil desde a eleição de 2022. A defesa de Ramagem procurará, provavelmente, consolidar a narrativa de que ele é um alvo político em meio a um clima de repressão a vozes dissidentes, enquanto o governo brasileiro e suas instituições se deparam com a necessidade de justificar suas ações no âmbito internacional.
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