Trabalhadores da Tic Trens Denunciam Falta de Pagamento de Adicionais de Insalubridade e Periculosidade
Trabalhadores do setor de manutenção civil da Tic Trens, empresa responsável pela operação da Linha 7-Rubi dos trens metropolitanos de São Paulo, estão enfrentando uma grave situação: a falta de pagamento dos adicionais de insalubridade e periculosidade, especialmente para os funcionários mais antigos. Denúncias de descumprimento de direitos trabalhistas e imposição de atividades de alto risco sem compensação financeira têm emergido, gerando revolta entre a equipe.
A situação foi revelada por meio de áudios de reuniões internas, vídeos e relatórios que evidenciam as irregularidades. Em um dos áudios, um representante da Tic Trens reconheceu os riscos trabalhistas envolvidos e pediu a colaboração dos operários para que continuassem suas atividades sem acionar a Justiça, enquanto a empresa tentava reestruturar o setor. "Temos um risco trabalhista, mas precisamos da ajuda de vocês até estabilizar essa equipe", disse o representante.
O vice-presidente da Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro), Alex Santana, comentou que a falta de pagamento dos benefícios é uma prática comum entre as concessionárias de transporte em São Paulo. Segundo ele, a negação do adicional de periculosidade afeta todas as linhas privadas, não apenas a Linha 7-Rubi. "As empresas privadas e terceirizadas não pagam corretamente os adicionais, mesmo em cargos que têm direito", afirmou.
Reconhecimento de Riscos
Durante reuniões realizadas em julho, a própria direção da Tic Trens admitiu os riscos biológicos e estruturais enfrentados pelos trabalhadores em suas atividades diárias. No entanto, a empresa argumenta que limitações financeiras e pressão dos acionistas têm impedido a extensão do pagamento dos benefícios a todos os funcionários. Um representante da empresa mencionou que um laudo técnico indicou riscos biológicos para funções que envolvem trabalho em esgoto e limpeza de sanitários.
Os trabalhadores antigos relatam que a Tic Trens está substituindo gradualmente a equipe antiga por novos contratados, que já ingressam na empresa recebendo os adicionais devidos. Enquanto isso, os funcionários mais antigos permanecem sem receber os valores retroativos e atuais. Além disso, muitos dos novos empregados estão sendo colocados em atividades de alto risco sem o treinamento adequado, o que aumenta a preocupação com a segurança no trabalho.
Condições de Trabalho e Assédio Moral
Os relatos dos trabalhadores também revelam um ambiente de trabalho tenso, com práticas de assédio moral e pressão para que os funcionários antigos peçam demissão. A Tic Trens tem sido acusada de forçar a troca da mão de obra antiga por novos contratados sob condições mais favoráveis à empresa, o que levanta questões sobre a responsabilidade da concessionária em garantir a saúde e segurança dos operários.
Imagens obtidas mostram operários enfrentando condições insalubres, realizando a limpeza de locais contaminados e realizando reparos em áreas sem a proteção adequada. A situação é alarmante, com relatos de trabalhadores expostos a riscos de contaminação e choques elétricos durante suas atividades.
Repercussão e Ações Futuras
A situação dos trabalhadores da Tic Trens foi levada ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de São Paulo, que convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir as condições de trabalho e a falta de pagamento dos benefícios. O sindicato destaca que a precarização das condições de trabalho afeta diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores.
Em meio a esse cenário, a Tic Trens, que assumiu a gestão da Linha 7-Rubi no final do ano passado, afirmou que as atividades são submetidas a avaliações técnicas e que o pagamento do adicional de insalubridade é realizado de forma regular. Contudo, a empresa negou as irregularidades apontadas pelos trabalhadores.
O clima de apreensão e insatisfação continua a crescer entre os operários, que exigem o cumprimento dos direitos trabalhistas e condições dignas de trabalho. A luta por melhores condições e o reconhecimento dos direitos não deve ser ignorada, e a pressão sobre a Tic Trens tende a aumentar nos próximos dias.
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