O julgamento de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados de assassinar a líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, teve início no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, na Bahia, no dia 13 de novembro de 2023. O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, quando a ialorixá, de 72 anos, foi brutalmente assassinada com 25 tiros dentro de sua casa, localizada no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O ataque foi realizado por homens armados que invadiram a comunidade, mantendo os familiares reféns e executando Mãe Bernadete.
Arielson é réu confesso e já está preso, enquanto Marílio está foragido. Ambos são acusados de homicídio qualificado por motivos torpes e cruéis, além de utilizarem arma de uso restrito. Arielson também enfrenta charges por roubo. O julgamento estava inicialmente agendado para fevereiro, mas foi adiado devido a uma solicitação da defesa para a troca de advogados.
Na manhã do julgamento, familiares, amigos e integrantes do movimento negro se reuniram em frente ao fórum para protestar e exigir justiça. O advogado da família Pacífico, Hédio Júnior, expressou a expectativa de que os réus sejam condenados à pena máxima, citando evidências irrefutáveis que incluem provas periciais, reconhecimento de testemunhas, confissões e gravações telefônicas. Ele ressaltou a importância de um veredicto que reflita a gravidade do crime.
O filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, também se manifestou, enfatizando a necessidade de justiça pelo assassinato de sua mãe, que sempre defendeu os direitos humanos e a luta contra o racismo. Ele mencionou que Mãe Bernadete havia sido alvo de ameaças frequentes e estava sob proteção do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Além de Arielson e Marílio, outras três pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público da Bahia: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último acusado de ser o mandante do crime. No entanto, ainda não há data definida para o julgamento desses indivíduos.
Mãe Bernadete era uma figura proeminente na luta pelos direitos das comunidades quilombolas e na preservação da cultura afro-brasileira, servindo como um pilar de resistência e ativismo em sua comunidade. Seu assassinato gerou uma onda de indignação e mobilização entre aqueles que defendem os direitos humanos e a justiça social, refletindo a crescente preocupação com a segurança de líderes comunitários e defensores dos direitos humanos no Brasil.
O caso de Mãe Bernadete não é apenas um episódio isolado de violência, mas representa um padrão alarmante de ataques a líderes que lutam contra a opressão e a injustiça, destacando a necessidade urgente de medidas eficazes para proteger esses defensores e garantir que crimes dessa natureza não fiquem impunes. A esperança dos familiares e apoiadores é que o julgamento traga um desfecho que honre a memória de Mãe Bernadete e faça justiça por sua vida e legado.
Fonte: Link original

































