Cuba se Prepara para Ameaças de Invasão dos EUA em Meio a Crise Energética
Diante das crescentes ameaças de uma possível invasão por parte dos Estados Unidos, o governo cubano intensifica sua vigilância sobre os movimentos militares na região. O embaixador José R. Cabañas Rodríguez afirmou que Cuba está se preparando para diversas contingências, ressaltando que a história recente demonstra que o risco de uma ação militar americana nunca esteve completamente afastado.
“Estamos constantemente monitorando a movimentação das forças militares. A guerra moderna pode ser desencadeada à distância”, afirmou Cabañas, diretor do Centro de Investigações de Política Internacional (CIPI), em Havana. Ele lembrou que desde a Revolução Cubana, em 1959, os cubanos vivem sob a sombra da ameaça militar dos EUA, especialmente em tempos de crise econômica.
História de Conflitos e Tensão Militar
O diplomata recordou momentos em que a invasão parecia iminente, como na invasão de Granada em 1983 e no Panamá em 1989. “Houve um grande deslocamento de tropas nas proximidades de Cuba naquela época, e muitos acreditavam que um ataque era iminente”, disse Cabañas. Ele também mencionou a base naval de Guantánamo, que permite que os EUA mantenham uma presença militar sem precisar desembarcar diretamente na ilha.
Cabañas observou que a atual avalanche de informações sobre uma possível invasão tem o objetivo de intimidar a população cubana. “As guerras contemporâneas são, em grande parte, travadas através da desinformação”, destacou o embaixador.
Bloqueio Energético e Negociações com os EUA
Recentemente, as ameaças de ação militar se intensificaram após o endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos EUA, que incluiu sanções a países que vendem petróleo a Cuba. A ilha enfrenta sérias dificuldades, incluindo apagões que afetam a rotina dos cubanos. Em março, um petroleiro russo conseguiu furar o bloqueio, trazendo um alívio temporário com 100 mil toneladas de petróleo, o que representa apenas um terço da necessidade mensal de consumo.
Neste contexto crítico, Cuba iniciou tratativas com Washington para possibilitar a importação de petróleo. Cabañas enfatizou que qualquer negociação deve respeitar a soberania cubana e não pode envolver concessões prejudiciais.
Denúncia na ONU e Mobilização Internacional
Na última semana, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou na ONU o bloqueio energético como uma forma de punição coletiva ao povo cubano. Ele destacou que milhares de cubanos, incluindo crianças, aguardam por procedimentos médicos que dependem de energia elétrica estável, hoje em falta devido às restrições.
Em busca de apoio internacional, Díaz-Canel se reuniu com membros do Partido Democrata dos EUA, que criticam o embargo. A deputada Pramila Jayapal declarou que a normalização das relações é fundamental para aliviar a crise humanitária em Cuba.
A Resiliência Cubana Diante das Ameaças
Em uma entrevista exclusiva à NBC News, Díaz-Canel reafirmou a determinação de Cuba em resistir a qualquer tentativa de invasão. “Se isso acontecer, haverá combate. Nós nos defenderemos, e se tivermos que morrer, morreremos. Morrer pela pátria é viver”, enfatizou.
O endurecimento das sanções e a pressão militar refletem a estratégia dos EUA de desestabilizar o governo cubano, que, há mais de seis décadas, desafia a hegemonia de Washington na América Latina. O embargo já dura 66 anos, iniciado logo após a Revolução Cubana, e continua a ser um tema central nas relações entre os dois países.
Com a população cubana enfrentando um dos piores momentos econômicos, a unidade e a resiliência se tornam essenciais para a superação das adversidades impostas pelo bloqueio e pelas ameaças externas.
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