Neste domingo, 3 de junho, a Arábia Saudita, Rússia e outros cinco países da Opep+ decidiram aumentar suas cotas de produção de petróleo em 188.000 barris diários, em resposta à saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da organização, que ocorreu recentemente. Este aumento é parte do compromisso do grupo com a estabilidade do mercado de petróleo, conforme indicado em um comunicado oficial da Opep. A declaração, no entanto, não mencionou os EAU, o que sugere tensões entre Abu Dhabi e o cartel, segundo Jorge León da Rystad Energy. O objetivo da Opep+ parece ser transmitir a mensagem de que a saída dos EAU não afetaria seu funcionamento e que o grupo ainda exerce controle sobre os mercados globais de petróleo, apesar das dificuldades impostas por conflitos como a guerra na Ucrânia.
O aumento de produção anunciado é semelhante ao que foi feito anteriormente, em março e abril, embora agora tenha sido reduzido pela quantidade que os Emirados poderiam ter contribuído. Entretanto, a análise indica que é improvável que esse aumento se traduza em produção adicional, dado que a produção dos países do Golfo, especialmente em meio à guerra no Oriente Médio, tem enfrentado sérias dificuldades. A produção total dos países da Opep+ caiu para 27,68 milhões de barris diários, enquanto a soma das cotas era de 36,73 milhões, resultando em um déficit significativo.
Entre os países afetados, a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos são os mais impactados, com a produção dos EAU não sendo mais contabilizada nas metas do grupo. A Rússia, como o segundo maior produtor do cartel, tem se beneficiado dos altos preços de energia, embora enfrente desafios para manter sua produção em níveis adequados devido à retirada de investimentos ocidentais e às consequências da guerra na Ucrânia.
A retirada dos Emirados Árabes Unidos da Opep+ é considerada um evento significativo, com um impacto muito maior do que a saída anterior de outros membros, como Catar e Angola. Os EAU, sendo o quarto maior produtor do cartel, têm também reservas de produção inexploradas, que são vitais para o grupo na regulação do mercado. Nos últimos anos, Abu Dhabi expressou descontentamento com suas cotas, investindo substancialmente em infraestrutura e prevendo um aumento significativo na capacidade de produção, o que pode desestabilizar a dinâmica do cartel.
Além disso, a Adnoc, a companhia petrolífera dos EAU, anunciou um investimento de US$ 55 bilhões em novos projetos, destacando sua intenção de expandir rapidamente sua capacidade de produção, que poderia chegar a 5 milhões de barris diários até 2027. Esta posição competitiva pode limitar o impacto das medidas tomadas pela Arábia Saudita e seus aliados.
A situação também levanta preocupações sobre a possibilidade de outros países, como Cazaquistão e Iraque, seguirem o exemplo dos Emirados ao desrespeitar suas cotas, o que pode representar um risco adicional para a Opep+. Assim, a saída dos EAU e o aumento da produção por parte do cartel refletem um momento de incerteza e tensão nas dinâmicas do mercado global de petróleo.
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