Fiocruz Conclui Transferência de Tecnologia para Produção de Antirretroviral Dolutegravir no Brasil
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou a finalização da transferência de tecnologia para a produção do dolutegravir, o principal antirretroviral utilizado no tratamento do HIV no Brasil. Este medicamento, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é fundamental para mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV em todo o país.
Desenvolvido pela ViiV Healthcare, uma empresa de pesquisa focada no HIV pertencente à GSK, o dolutegravir teve sua produção nacionalizada através de um acordo firmado com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz em 2020. O objetivo do contrato é garantir a produção autônoma do medicamento, que agora aguarda apenas a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar sua distribuição ao SUS.
Desde o início da colaboração, Farmanguinhos tem investido na modernização de suas instalações, aquisição de novos equipamentos e capacitação de profissionais, além de aprimorar a estrutura técnica e regulatória necessária para a produção. A partir de 2022, o instituto começou a fornecer medicamentos produzidos nas fábricas da GSK, totalizando mais de 739 milhões de cápsulas já entregues à saúde pública.
A validação de três lotes do dolutegravir já foi concluída, e esses produtos poderão ser distribuídos assim que a Anvisa aprovar a liberação. O instituto também está trabalhando na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
O acordo de transferência de tecnologia ainda prevê a produção de uma combinação do dolutegravir com a lamivudina, outro antirretroviral, que também será disponibilizado pelo SUS. A expectativa é que essa nova produção comece em 2024.
O dolutegravir é amplamente reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais opções para o tratamento do HIV. Ele atua inibindo a enzima integrase, evitando a replicação do vírus nas células do sistema imunológico, o que resulta em uma carga viral indetectável, melhora da imunidade e prevenção à progressão para AIDS, com poucos efeitos colaterais.
Essa iniciativa representa um grande avanço na luta contra o HIV no Brasil, garantindo o acesso a medicamentos de qualidade para a população e fortalecendo a capacidade do país em lidar com a epidemia.
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