Transformação Global: O Impacto das Mulheres Negras

Seis entrevistadas refletem sobre o significado do Julho das Pretas, mês que culmina no 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e de Tereza de Benguela

Julho das Pretas: Mulheres Negras do Rio Grande do Sul Transformam Desafios em Ação Coletiva

No cenário do Rio Grande do Sul, diversas mulheres negras se destacam por suas atuações em diferentes frentes, utilizando a educação, a cultura e a solidariedade como ferramentas de transformação social. Neste mês de julho, que culmina no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, elas compartilham suas histórias e reflexões sobre a luta contra o racismo e a importância da ancestralidade. Entre elas estão Karen Nunes da Silva, professora, Ísis Garcia, dirigente sindical, Graziela da Silva Conceição, coordenadora de uma cozinha solidária, Jordana Lois de Lima, jovem mulher negra trans, Ìyá Sandrali de Campos Bueno, yalorixá, e Roberta Moura, cantora.

Educação como Ato de Resistência

Karen Nunes da Silva, professora da rede estadual, vê sua presença na sala de aula como um ato de resistência. Com 13 anos de experiência no comércio antes de se tornar educadora, Karen leciona em escolas da Restinga e na Grande Cruzeiro, sua região de origem. Para ela, a representatividade é essencial: “O aluno precisa se identificar, se olhar, se enxergar. Eu tento levar um pouco disso para eles”, afirma.

Ela observa que a maioria dos alunos que abandonam a escola é de estudantes negros, e se empenha em incentivá-los desde o primeiro ano. “A evasão escolar é uma realidade que precisa ser enfrentada com cuidado e atenção”, destaca a educadora.

Julho das Pretas: Um Chamado à Ação Coletiva

O Julho das Pretas, segundo Karen, é um momento de fortalecimento político e cultural. “Nós precisamos nos unir para diminuir o preconceito”, afirma. Ela percebe uma nova geração mais forte e consciente, que busca referências que antes não estavam disponíveis.

Desafios do Movimento Sindical

Isis Garcia, dirigente sindical e secretária de Combate ao Racismo na CUT-RS, também participa ativamente do Julho das Pretas. Ela ressalta a importância do movimento na ampliação do debate sobre racismo e direitos. “O movimento sindical permite que a mulher negra se reconheça e pertença a um espaço”, explica.

Com 32 anos de experiência bancária, Isis relembra os desafios enfrentados em sua trajetória, desde o isolamento no ambiente de trabalho até a luta contra o racismo estrutural. Ela destaca a necessidade de reconhecer e valorizar as trabalhadoras autônomas e empreendedoras, que muitas vezes não têm acesso aos direitos básicos.

Solidariedade e Cuidado Comunitário

Graziela da Silva Conceição, coordenadora da Cozinha Solidária Tia Grazi, ilustra o poder da solidariedade. Com o espaço, ela atende a 431 famílias e oferece não apenas refeições, mas também formação e acolhimento. “As cozinhas solidárias são espaços de acolhimento e organização comunitária, onde as mulheres negras desempenham um papel central”, explica Graziela.

Ela enfatiza que, além de combater a fome, as cozinhas devem ser reconhecidas como locais de formação política e cidadã, onde as pessoas possam ter acesso a informações sobre direitos e políticas públicas.

Identidade e Resistência

Jordana Lois de Lima, uma jovem mulher negra trans, compartilha sua trajetória de autodescoberta e ativismo. Ela destaca a importância do apoio familiar durante sua transição e a força que sente ao se identificar como mulher negra. “Ser uma mulher negra trans é ser muito forte”, afirma Jordana.

Ela vê o Julho das Pretas como um momento de união e fortalecimento das mulheres negras na luta por direitos e reconhecimento.

Conclusão: A Luta Continua

As histórias de Karen, Ísis, Graziela e Jordana exemplificam a força e a resiliência das mulheres negras no Rio Grande do Sul. Juntas, elas transformam desafios em ação coletiva, reivindicando visibilidade e reconhecimento não apenas no mês de julho, mas ao longo de todo o ano. “Nós somos descendentes de pessoas escravizadas e precisamos ser valorizadas o ano inteiro”, conclui Graziela, reafirmando a importância da luta contínua contra as desigualdades.

Fonte: Link original

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