Mendel, o Livreiro: A Memória de um Alfarrabista em Tempos de Guerra
Nesta semana, a professora Marisa Midori traz à tona uma obra-prima literária de Stefan Zweig, intitulada "Mendel, o Livreiro". Publicada em 1929 no jornal vienense Nova Imprensa Livre, essa novela curta se destaca por sua narrativa envolvente, ambientada na turbulência da Primeira Guerra Mundial.
A história gira em torno de Jakob Mendel, um alfarrabista judeu galiciano, cuja vida é marcada pela paixão pelos livros e pela cultura. A colunista descreve Mendel como um personagem excêntrico, que passava seus dias no Café Gluck, em Viena. Ele era conhecido por sua memória excepcional, capaz de recordar detalhes minuciosos sobre cada obra que catalogava.
Mendel não era apenas um vendedor de livros; ele era um verdadeiro catálogo ambulante. Sua habilidade em recordar títulos, autores e informações de publicações fazia dele uma referência para estudantes e professores que frequentavam o café. No entanto, o cenário da guerra traz à tona a fragilidade de sua situação. Por ser de origem russo-polonesa, Mendel se vê como um potencial inimigo do Estado, mas sua percepção do perigo só se torna clara quando é levado a um campo de prisioneiros.
A narrativa, além de explorar a vida de Mendel, destaca a conexão entre ele e um jovem estudante que, anos após o início do conflito, retorna ao café e tenta reconstruir a memória de um passado que já não existe mais. A professora Midori salienta a importância do narrador na trama, que serve como um elo entre o presente e o passado, revelando como a memória pode ser afetada pela guerra e pela perda.
"Mendel, o Livreiro" é uma reflexão profunda sobre a perda e a transformação de um mundo que, assim como a memória de seu protagonista, nunca mais será o mesmo. A obra, recentemente publicada pela editora Arte e Letra, é uma preciosidade literária que merece ser redescoberta.
A coluna "Bibliomania", apresentada pela professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, às sextas-feiras, às 9h00, na Rádio USP. Acompanhe e mergulhe no universo fascinante da literatura.
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