Apenas três estados do Brasil têm plano ativo contra trabalho infantil

Apenas três estados do Brasil têm plano ativo contra trabalho infantil

Apenas Três Estados Possuem Planos Ativos contra Trabalho Infantil no Brasil

Por Daniella Almeida

A luta contra o trabalho infantil no Brasil enfrenta um desafio significativo: apenas Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Sul possuem planos decenais em vigor para enfrentar essa problemática. Nos outros 24 estados e no Distrito Federal, a situação é alarmante, com a maioria dos documentos vencidos, em elaboração ou inexistentes. Esses dados foram divulgados nesta quarta-feira (22) pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção a Adolescentes no Trabalho (FNPETI), em um estudo inédito sobre a situação dos planos estaduais.

Os planos estaduais são essenciais, pois definem responsabilidades do poder público, estabelecem metas e facilitam a articulação entre diferentes áreas para garantir os direitos de crianças e adolescentes. Katerina Volcov, secretária executiva do FNPETI, ressaltou que nos estados que implementaram esses planos, há uma convergência de vontade política e participação ativa da sociedade civil.

Desafios e Omissões

O estudo revela que muitos estados enfrentam barreiras políticas, como a baixa prioridade dada ao tema e a falta de articulação entre as secretarias. Além disso, o enfraquecimento da sociedade civil organizada e a paralisação de fóruns estaduais dificultam o controle social das políticas. Segundo Volcov, a ausência de um plano ativo resulta em três consequências principais para crianças e adolescentes: invisibilidade, ações isoladas e incapacidade de resposta a diferentes formas de trabalho infantil.

Monitoramento Deficiente

Um aspecto preocupante destacado no estudo é que 76,9% dos fóruns estaduais relatam dificuldades em monitorar a eficácia das ações existentes. A falta de um acompanhamento contínuo impede a atualização dos planos e a definição de indicadores que possam medir os resultados das iniciativas. Isso gera um cenário em que as ações se tornam vulneráveis a mudanças de gestão e perdem a capacidade de responder adequadamente às diversas formas de trabalho infantil.

Propostas para o Futuro

Para enfrentar esse quadro, o FNPETI propõe a adoção do IV Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil como um modelo para auxiliar estados e o Distrito Federal na elaboração ou atualização de seus planos. A iniciativa deve ser adaptada às realidades locais, considerando as especificidades de cada região.

Volcov enfatiza a importância da participação ativa de adolescentes na formulação de políticas, destacando que apenas 30,8% dos fóruns estaduais contam com essa contribuição. A especialista acredita que é fundamental incorporar a educação em direitos humanos no currículo escolar para empoderar crianças e adolescentes.

Cenário Atual e Estatísticas Alarmantes

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) indicam que, ao final de 2024, cerca de 1,65 milhão de crianças e adolescentes estavam envolvidos em trabalho infantil no Brasil, um aumento de 34 mil casos em relação a 2023. Além disso, 586 mil continuam em situações de trabalho infantil nas suas piores formas, conforme a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil.

O Brasil é signatário dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, comprometendo-se a erradicar as piores formas de trabalho infantil. A implementação efetiva de políticas públicas e a mobilização da sociedade civil são essenciais para garantir um futuro melhor para as crianças e adolescentes do país.

Fonte: Link original

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