Crescimento dos BDRs de ETFs no Brasil: Uma Nova Fronteira de Investimentos
Nos últimos anos, o mercado financeiro brasileiro tem observado um crescimento significativo na oferta de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de ETFs (Exchange-Traded Funds). Essa tendência não apenas diversifica as opções de investimento, mas também reflete uma mudança na forma como os investidores acessam os ativos internacionais.
Atualmente, existem cerca de 300 BDRs de ETFs listados na B3, a bolsa de valores brasileira. Esses recibos funcionam como lastro em cotas de ETFs estrangeiros, oferecendo uma alternativa mais direta em comparação aos ETFs de ETFs, que investem em fundos de índice internacionais. De acordo com dados da Economatica, há 161 ETFs brasileiros ativos no mercado.
Estrutura e Vantagens dos BDRs de ETFs
Rodrigo Aloi, responsável pela alocação da HMC Capital, destaca que os BDRs têm um potencial de crescimento considerável. Ele aponta uma ineficiência no mercado que pode ser explorada pelos investidores. “Aqueles que buscam ETFs geralmente estão atentos aos custos. Se essa sensibilidade se confirmar, a preferência pelo BDR de ETF faz sentido", afirma Aloi.
Uma das principais diferenças entre essas duas opções de investimento é a estrutura. Enquanto um ETF de ETF atua como uma intermediação, o BDR representa diretamente a cota do ETF estrangeiro, eliminando a camada adicional de custos. No caso do ETF de ETF, o investidor paga uma taxa de administração que pode variar entre 0,20% e 0,30% ao ano, além da taxa do ETF original. Já no BDR, o custo de custódia é considerado insignificante, não ultrapassando 0,20%.
Além disso, Aloi enfatiza que a rentabilidade do BDR é mais próxima do que o investidor encontraria no ETF estrangeiro, ao considerar também a variação cambial. Assim, a principal diferença de custo reside na taxa de administração.
Exceções e Considerações Fiscais
Apesar das vantagens apontadas, a análise de Aloi traz uma ressalva: a questão dos dividendos. Os ETFs americanos costumam distribuir proventos, e os BDRs retêm cerca de 4% do valor distribuído ao investidor brasileiro. Para ETFs com baixo rendimento de dividendos, essa retenção se torna menos impactante, mas em produtos de renda fixa, onde o rendimento pode chegar a 5%, a situação pode ser diferente.
No que diz respeito à tributação, não há distinção significativa entre ETFs globais e ETFs de ETFs para o investidor local. A diferença se dá no domicílio do ETF: enquanto os americanos sofrem uma retenção de 30% sobre dividendos, os irlandeses (UCITS) têm uma retenção de 15%. Contudo, a maioria dos BDRs está atrelada a ETFs americanos.
O Futuro dos BDRs de ETFs
Apesar da estrutura mais vantajosa, os ETFs de ETFs continuam a ser uma opção popular no Brasil. Aloi atribui isso à falta de maturidade do mercado, já que os BDRs foram liberados para o público em geral apenas em 2020. Os gestores e alocadores ainda estão se familiarizando com este novo instrumento.
No entanto, ele ressalta que a taxa de administração do ETF de ETF não é injustificada. "As gestoras precisam dessa taxa para fornecer suporte e informação de qualidade aos investidores", argumenta. Além disso, os ETFs de ETFs têm a capacidade de acumular dividendos e oferecer versões com proteção cambial, recursos que os BDRs não conseguem replicar.
O aumento no número de lançamentos de BDRs reflete um mercado em evolução. Em 2020, foram 39 novos produtos, alcançando um pico de 81 em 2022, seguido por uma queda para 14 em 2023 e uma recuperação com 48 em 2024, além de 8 até julho deste ano. Aloi acredita que a expansão da oferta não é um obstáculo: “Se há demanda, novos BDRs podem ser listados rapidamente. O desafio está em mudar a percepção dos investidores sobre esses produtos”.
Com esse cenário, os BDRs de ETFs podem não apenas transformar a forma como os brasileiros investem no exterior, mas também contribuir para a evolução do mercado financeiro nacional.
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