CEO da Pague Menos revela impacto das canetas emagrecedoras

Cada R$ 1 gasto com canetas emagrecedoras, clientes compram R$ 8 em outros produtos, diz CEO da Pague Menos

As canetas emagrecedoras, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, não apenas impulsionam o faturamento das farmácias, mas também geram um fenômeno de “cross-selling”, onde os clientes compram outros produtos em conjunto. Jonas Marques, CEO das Farmácias Pague Menos, destacou que para cada R$ 1 gasto em medicamentos agonistas do receptor GLP-1, os clientes gastam em média R$ 8,14 em itens adicionais. Isso inclui medicamentos complementares, como Glifage, e suplementos, como Nugenix. Marques também observa que muitos pacientes compram alimentos indulgentes, como sorvete, no mesmo ticket de compra, sugerindo que a utilização dessas canetas muitas vezes está ligada a uma busca por liberdade alimentar, em vez de apenas estética.

O faturamento mensal decorrente da venda dessas canetas chega a R$ 134 milhões, representando cerca de 10% do total da rede Pague Menos. Contudo, a venda desses medicamentos requer investimentos significativos em infraestrutura, como câmaras frias para conservação, além de um capital de giro robusto, dado que o custo inicial para estoque de Wegovy foi de R$ 70 milhões. Marques também destaca os desafios de segurança, mencionando que o estoque de cada farmácia pode ser alvo de roubos, resultando em perdas consideráveis.

Em meio a esse cenário de forte demanda e crescimento, Marques expressou preocupações sobre a recente decisão da Anvisa que permite a venda de medicamentos por marketplaces e e-commerce, como iFood e Mercado Livre. Ele considera essa movimentação uma “irresponsabilidade sanitária”, ressaltando que apenas farmácias e drogarias devem ser responsáveis pela armazenagem e dispensação dos medicamentos, garantindo a orientação adequada aos pacientes. As plataformas digitais poderão apenas anunciar e entregar os remédios, ficando a cargo das farmácias a certificação e a relação com os laboratórios.

Atualmente, as farmácias são vistas como fundamentais na cadeia de distribuição de medicamentos, especialmente em um contexto onde a venda online está se expandindo rapidamente. A Anvisa ainda precisa estabelecer regras específicas para regulamentar a venda de medicamentos por essas plataformas digitais, e não há previsão para a publicação dessas normas. Essa lacuna regulatória pode criar incertezas para o varejo físico, que já enfrenta desafios significativos, como investimentos altos, riscos de segurança e a necessidade de manter um padrão de qualidade na dispensação de medicamentos.

Em resumo, enquanto as canetas emagrecedoras apresentam uma oportunidade de lucro para as farmácias, a venda desses produtos exige uma gestão cuidadosa e investimentos significativos. Além disso, a discussão sobre a venda de medicamentos em plataformas digitais levanta questões sobre a segurança e a responsabilidade na dispensação de medicamentos, um tema crucial para a saúde pública. A necessidade de regulamentação adequada se torna evidente, à medida que o setor se adapta a novas realidades de mercado.

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