Conflito Eleitoral em Shasta: Condenada por Fraude Eleitoral Será Consultora de Eleições
Shasta, Califórnia – O condado de Shasta, conhecido por seu ativismo em torno da desconfiança em relação à integridade das urnas eletrônicas, está prestes a contratar Tina Peters, uma figura proeminente no movimento de negação das eleições nos Estados Unidos. Recentemente liberada da prisão, Peters foi condenada por delitos relacionados à manipulação de equipamentos de votação.
Clint Curtis, o principal responsável pelas eleições em Shasta, revelou planos para incorporar Peters como consultora, substituindo Brent Turner, seu principal assistente, que está em licença médica. Curtis afirmou que Peters não teria acesso ao sistema de votação do condado, mas não especificou quais seriam suas atribuições.
O condado de Shasta, que abriga cerca de 182 mil habitantes e é uma região conservadora, tem se destacado nos últimos anos como um centro do movimento de negação das eleições nos EUA. Em 2023, a administração do condado tentou, sem sucesso, reformular o processo eleitoral ao romper com a Dominion Voting Systems e implementar uma contagem manual, um método criticado por especialistas devido ao seu custo elevado e à menor precisão. O CEO da MyPillow, Mike Lindell, um dos principais propagadores de teorias falsas sobre fraudes eleitorais, manifestou apoio a essa iniciativa, que acabou sendo bloqueada pelo estado.
A nomeação de Curtis para o cargo de secretário e registrador de eleitores do condado foi polêmica desde o início. Ele, que nunca havia gerido um escritório eleitoral, prometeu reformar o processo eleitoral, mas sua gestão foi marcada por investigações que apontaram a criação de um ambiente de trabalho hostil e ameaças de violência contra funcionários. Embora tenha negado as acusações, a mesma câmara que o nomeou o censurou recentemente, citando "violações flagrantes" das normas do condado.
Peters, ex-funcionária de eleições do condado de Mesa, Colorado, foi condenada em 2024 por permitir que um ativista se passasse por funcionário do condado e acessasse o software de votação da Dominion. Sua libertação em junho foi uma vitória para setores da direita, embora tenha gerado preocupações quanto à sua influência na administração eleitoral.
Matt Crane, diretor executivo da associação de secretários de condados do Colorado, expressou sua preocupação com a contratação de Peters. Ele a descreveu como uma figura que não deveria ser considerada especialista em administração de eleições, dada sua história criminal.
Jena Griswold, secretária de Estado do Colorado, também se manifestou, ressaltando que a presença de Peters em um papel de influência nas eleições é preocupante, dada sua condenação por violar a segurança de equipamentos eleitorais.
A contratação de Peters ocorre em um momento crítico para Curtis, que foi destituído pelos eleitores em junho em favor de Joanna Francescut, uma funcionária de longa data do escritório de eleições de Shasta. Neste mesmo pleito, os eleitores do condado aprovaram uma medida que exige eleições presenciais em um único dia, limitando a votação pelo correio, além de exigir identificação com foto e contagem manual dos votos. O estado, no entanto, já entrou com uma ação contra a implementação dessa medida, que foi temporariamente bloqueada por um juiz.
A situação em Shasta reflete um cenário mais amplo de tensões políticas e desconfiança nas instituições eleitorais nos Estados Unidos, levantando questões sobre a integridade e a administração das eleições no país.
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