Ibovespa Registra 11ª Queda Consecutiva em Dia de Incertezas no Mercado
O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (18) com uma nova desvalorização, marcando a 11ª queda consecutiva e encerrando o dia em 166.334,86 pontos, uma diminuição de 0,27%. O índice, que chegou a superar os 168 mil pontos durante a sessão, não conseguiu sustentar a alta e renovou a maior série de perdas desde agosto de 2023.
Os bancos foram os principais responsáveis pela pressão negativa sobre o índice, refletindo as preocupações persistentes em relação ao cenário de crédito no Brasil. Por outro lado, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) atuaram como um contrapeso, apesar da fraqueza nos preços do petróleo.
No mês, o Ibovespa acumula uma queda expressiva de 6,51%. Mesmo com uma leve alta durante a manhã, muitos papéis já operavam em estabilidade, enquanto os investidores hesitavam em realizar grandes movimentações em meio à incerteza do cenário eleitoral, o que impacta as expectativas para o ajuste fiscal em 2027. Além disso, a falta de clareza nas negociações envolvendo os Estados Unidos e o Irã contribui para a cautela do mercado.
Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, comentou que a recente saída de capital estrangeiro da bolsa deixou um vácuo que dificulta a recuperação do Ibovespa no curto prazo. “O investidor local está desconfiado em relação aos ativos neste momento. A volatilidade eleitoral está presente, mesmo que de forma não tão evidente”, afirmou.
Analistas também observam que, caso a pressão vendedora continue, o suporte de 164.800 pontos será um nível crucial a ser monitorado. A perda desse patamar pode intensificar o movimento de baixa, com projeções que vão até 161.700 e 156.300 pontos.
A Ágora Investimentos corroborou essa visão, destacando que o Ibovespa se mantém pressionado, mas os preços indicam um possível enfraquecimento da força vendedora na faixa de 164.700 pontos. “Se o índice conseguir se manter nesse nível, pode haver uma reação técnica de pullback. No entanto, a leitura continua frágil abaixo das médias curtas”, analisaram.
Com a temporada de resultados praticamente finalizada no Brasil, os analistas do Citi observaram uma desconexão crescente entre os fundamentos das empresas e o desempenho de suas ações. Apesar de as companhias do Ibovespa terem apresentado resultados positivos, com surpresas de 1,8% em receitas e 5,3% em lucros, as ações caíram em média 1,3% após os anúncios, sugerindo que as boas notícias já estavam precificadas e foram ofuscadas por preocupações macroeconômicas.
Os analistas ressaltaram que as saídas de capital estrangeiro, as incertezas relacionadas ao ciclo eleitoral de 2026, as expectativas para a taxa de juros e os desdobramentos geopolíticos têm um impacto maior no mercado do que os fundamentos das empresas.
Enquanto isso, o mercado de petróleo fechou em alta, reagindo ao enfraquecimento das expectativas de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã. O petróleo WTI para outubro subiu 0,38%, atingindo US$ 84,06 por barril, enquanto o Brent teve um aumento de 0,17%, fechando a US$ 91,02. As tensões mantidas no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho também sustentaram os preços, em meio a declarações do Irã sobre uma postura "totalmente ofensiva" e a recusa dos EUA em estender o acordo de cessar-fogo.
As incertezas continuam a dominar o cenário econômico, com investidores atentos às próximas movimentações no mercado.
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