Indústria Nuclear Passa por Renascimento com Inovações em Geração de Energia
A indústria de energia nuclear está vivenciando um renascimento, com startups atraindo investimentos para desenvolver reatores avançados, em busca de redução de custos. No entanto, projeções recentes indicam que a competitividade desses reatores no mercado ainda está distante. Os fundadores da Apollo Atomics, Assil Halimi e Drew Walker, acreditam que essa situação decorre de uma abordagem equivocada por parte das empresas. Em vez de focar no design de um novo reator, a Apollo está reinventando a forma como a energia térmica é convertida em eletricidade.
“Nosso foco está no maior componente do sistema, o gerador de vapor”, afirmou Halimi, CEO da startup. “Conseguimos reduzir o tamanho desse componente, tornando todo o sistema muito mais compacto do que qualquer outro reator no mercado.”
Os geradores de vapor desempenham um papel crucial em uma usina de energia, produzindo vapor a partir do circuito de resfriamento do reator para acionar uma turbina. Enquanto a maioria dos geradores de vapor é construída manualmente e pode ter vários andares, a Apollo afirma que sua versão pode ser fabricada em massa e é do tamanho de uma pessoa. Essa inovação permitiu à startup desenvolver um reator que é 40 vezes menor do que aqueles que utilizam um gerador de vapor convencional.
Recentemente, a Apollo fechou uma rodada de financiamento inicial de 26 milhões de dólares, incluindo 5 milhões em dívida, para construir um reator de demonstração antes de um lançamento comercial planejado para 2028. O design da Apollo é baseado em pesquisas do MIT, e Halimi projeta que uma usina da Apollo poderá gerar eletricidade a uma taxa de 3 centavos por quilowatt-hora. “Não queremos ser apenas incrementais na energia nuclear e melhorar apenas um pequeno aspecto”, disse ele. “Nosso objetivo é superar o gás natural.”
Halimi destacou que os geradores de vapor existentes ainda têm muito espaço para melhorias. Os designs antigos se baseiam fortemente em tecnologias utilizadas por usinas a carvão e gás natural, que possuem uma densidade energética muito inferior à dos combustíveis nucleares, como o urânio. “Você tem um combustível de alto potencial, mas está convertendo apenas uma pequena parte dele”, explicou, referindo-se à ineficiência dos geradores atuais em aproveitar ao máximo as fontes de combustível nuclear.
Os geradores de vapor convencionais fazem circular o refrigerante do reator por uma série de grandes tubos, cercados pela água utilizada para gerar vapor. O gerador da Apollo, por sua vez, integraria os dois circuitos de fluidos em um bloco compacto de metal com canais finos, permitindo uma transferência de calor mais eficiente e, por consequência, reduzindo seu tamanho.
Com essa compactação em mente, a Apollo planeja montar o reator e o gerador de vapor em uma fábrica, ao invés de no local, como é feito atualmente nas usinas nucleares. Com a economia de mão de obra e o tamanho reduzido, Halimi espera que a Apollo consiga construir uma usina de 300 megawatts em menos de 24 meses, prevendo que o custo do reator em si seja quatro a cinco vezes inferior ao das designs atuais.
A Apollo já construiu um pequeno reator de 40 quilowatts no MIT para demonstrar a tecnologia e planeja oferecer três tamanhos, variando de 10 a 300 megawatts. A rodada de financiamento foi liderada pela FCVC, com a participação de Telesoft Partners, Y Combinator, Alumni Ventures, Robinhood Ventures, Nucleation Capital, Pelion VC, Duke Capital Partners, New Era Ventures, Orange Collective, Stanford University, E14 Fund e Neutron Power Ventures. A Apollo fez parte da turma de Primavera de 2026 do Y Combinator.
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