O estado do Rio de Janeiro está se preparando para os impactos do fenômeno climático El Niño, que inclui calor intenso, escassez de água, aumento do risco de incêndios florestais e eventos meteorológicos severos. Para isso, foi criado, em julho, o Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, que reuniu gestores do governo estadual e prefeitos em uma reunião na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O objetivo do comitê é implementar o Programa Antecipar e Reagir, que visa não apenas responder a emergências, mas também planejar ações e compartilhar informações de forma integrada entre o estado e os municípios.
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas, afetando diversas regiões, incluindo a América do Sul. No Rio de Janeiro, espera-se que o El Niño traga consequências significativas para a saúde pública, agricultura, meio ambiente e abastecimento de água e energia. Para enfrentar esses desafios, o comitê é dividido em quatro câmaras técnicas: Defesa Civil, Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior. Essas câmaras se dedicam a treinar equipes, desenvolver novos sistemas de monitoramento e identificar áreas vulneráveis a eventos climáticos extremos.
Os impactos já são visíveis no estado, com aumento de 100% nos incêndios florestais em julho em comparação ao ano anterior, além de condições de baixa umidade e estiagem. O secretário de Defesa Civil, Tarcísio Sales, destacou que a situação atual exige atenção em todo o estado, com um foco especial na Região Serrana, que apresenta maior risco geológico. A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, enfatizou a relevância da universidade em colaborar com a mitigação dos efeitos do El Niño, especialmente em um estado marcado por desigualdades.
O secretário de Saúde, Ronaldo Damião, lembrou que, embora o El Niño seja um fenômeno recorrente, sua intensidade tem aumentado devido à falta de planejamento e às agressões ao meio ambiente. Ele ressaltou a importância do envolvimento de agentes comunitários de saúde, que conhecem bem as condições locais e podem ajudar na resposta a emergências.
Rodrigo Mascarenhas, secretário de Ambiente e Sustentabilidade, alertou sobre a necessidade de conscientização da população para prevenir incêndios florestais, mencionando que ações simples, como jogar bitucas de cigarro pela janela, podem ter consequências devastadoras. Ele também destacou a importância de cuidar dos recursos hídricos, pedindo que as pessoas não joguem lixo nos cursos d’água, já que isso pode agravar a situação hídrica.
Assim, o Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño busca implementar uma abordagem proativa e integrada para enfrentar os desafios climáticos, com foco na preparação e na mitigação dos impactos sobre a população fluminense. A colaboração entre o governo, as prefeituras e a sociedade civil é vista como essencial para lidar com os efeitos adversos do fenômeno.
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