No dia 25 de outubro, a Secretaria Municipal da Mulher de Búzios, localizada na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, organizou a ação “Búzios por Elas” na Praça dos Ossos. O objetivo central do evento foi promover uma maior aproximação da rede municipal de proteção às mulheres, facilitando o acesso a informações sobre serviços de atendimento e orientação. A escolha da Praça dos Ossos para sediar a atividade possui um significado histórico profundo, uma vez que o local está associado à memória de Ângela Diniz, uma socialite brutalmente assassinada em 1976, que se tornou um símbolo da luta contra a violência de gênero no Brasil.
O crime que vitimou Ângela Diniz ocorreu em sua casa de veraneio na Praia dos Ossos, onde ela foi assassinada a tiros por seu ex-companheiro, Raul Fernando do Amaral Street, conhecido como Doca Street, após uma acalorada discussão sobre o término do relacionamento. Ângela, que tinha apenas 32 anos, foi alvejada com quatro tiros à queima-roupa, e o caso gerou grande repercussão nacional, marcando um dos primeiros momentos significativos na discussão pública sobre feminicídio e violência contra a mulher no Brasil.
O julgamento inicial de Doca Street, em 1979, foi cercado de controvérsias. O advogado de defesa, o ex-ministro do STF Evandro Lins e Silva, argumentou que o réu agira em “legítima defesa da honra”, insinuando que a motivação para o crime tinha relação com um suposto amor e provocação por parte da vítima. Doca foi condenado a uma pena de apenas dois anos de reclusão, que cumpriu em liberdade, o que provocou indignação e mobilização em todo o país, especialmente entre os movimentos feministas. Essa reação social culminou na criação do famoso lema “quem ama não mata”, que se tornou um mantra na luta contra a violência de gênero.
Devido à pressão popular, o julgamento foi anulado e um novo processo foi realizado, onde Doca foi finalmente condenado a 15 anos de prisão por homicídio qualificado. A história de Ângela Diniz e a repercussão de seu caso foram fundamentais para a conscientização sobre o feminicídio e a violência contra a mulher no Brasil, gerando um impacto duradouro nas legislações e no ativismo em prol dos direitos das mulheres.
A ação “Búzios por Elas” não apenas homenageia a memória de Ângela Diniz, mas também representa uma luta contínua por justiça e prevenção contra a violência de gênero. O Banco Vermelho, que será instalado na praça, simboliza essa luta e serve como um lembrete da importância de enfrentar e prevenir o feminicídio. A iniciativa visa, assim, não apenas lembrar as vítimas, mas também informar e empoderar as mulheres da comunidade, garantindo que tenham acesso aos recursos e apoio necessários para enfrentar a violência e construir um futuro mais seguro e igualitário.
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