Desafios dos Ajustadores de Sinistros Frente à Inteligência Artificial

Desafios dos Ajustadores de Sinistros Frente à Inteligência Artificial

A Revolta dos Ajustadores de Sinistros Contra a Inteligência Artificial

No cenário atual do mercado de trabalho, uma categoria profissional se destaca pelo seu descontentamento em relação à inteligência artificial (IA): os ajustadores de sinistros de seguros. Em um estudo recente da plataforma Glassdoor, esses profissionais expressaram críticas contundentes sobre a implementação de tecnologias de IA em suas rotinas, revelando um descontentamento alarmante.

As avaliações de ajustadores de sinistros mostram que 98% das menções à IA são negativas. Frases como “Forçar a IA sobre todos é um grande desânimo” e “Os aplicativos de IA que esta empresa utiliza são todos ruins” refletem um descontentamento crescente. Esses profissionais, em vez de jornalistas ou educadores, estão preocupados com a eficácia das ferramentas que deveriam facilitar seu trabalho.

Um exemplo é Ahmad Jackson, que trabalhou em um grande escritório de sinistros. Sua empresa decidiu implementar a IA para o registro inicial de perdas, na expectativa de agilizar o processo. No entanto, Jackson e seus colegas enfrentaram uma enxurrada de solicitações mal classificadas, que exigiam redirecionamento para os departamentos corretos. As falhas da IA culminaram em frustração, levando Jackson a deixar a empresa e buscar uma nova oportunidade em outra seguradora. “A IA está errando e isso só aumenta a carga de trabalho dos ajustadores”, afirma.

Geoffrey Conrad, executivo de sinistros em Mobile, Alabama, também relata um fenômeno chamado de “fadiga da IA”. “Estamos exaustos com a quantidade de IA sendo imposta a nós”, diz. A insatisfação entre ajustadores de sinistros não passou despercebida por especialistas. Chris Martin, economista sênior da Glassdoor, ficou surpreso ao descobrir a magnitude do ressentimento e acredita que a profissão está passando por um momento crítico.

De acordo com dados do Bureau of Labor Statistics (BLS), a expectativa é que o número de ajustadores de sinistros nos Estados Unidos caia em 5% na próxima década, com uma queda de 21% na ocupação entre maio de 2025 e maio de 2026. Para os ajustadores em início de carreira, a situação é ainda mais preocupante, com a oferta de vagas de nível básico caindo 50% desde 2025.

A tecnologia é apontada como uma das principais causas dessa redução. Nos últimos anos, startups de IA como Liberate e Pace têm atraído milhões de dólares com promessas de "reinventar" o setor de seguros. As seguradoras estão cada vez mais utilizando a IA para processar um número crescente de sinistros, o que pode incluir interações com chatbots em vez de atendentes humanos e análises de fotos para estimativas de indenizações.

Um exemplo notável é a Lemonade, que desde sua fundação em 2015, promete substituir a burocracia por “bots e aprendizado de máquina”. Até o final do ano passado, seu chatbot, conhecido como AI Jim, era responsável por 96% dos registros iniciais, com a automação lidando com cerca de 55% de todos os sinistros.

Entretanto, ajustadores de sinistros de empresas tradicionais, como a State Farm, expressam preocupações sobre o futuro da profissão, temendo que estejam, na verdade, treinando seus próprios substitutos. A tensão entre a inovação tecnológica e a necessidade de intervenção humana continua a ser um tema central no debate sobre o futuro do trabalho nesse setor.

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